August 27, 2009

Uma frase...

Ou será um daqueles micro-contos que hoje pegou a moda. Não me gusta muito a idéia. Às vezes, contudo, uma idéia nasce para uma forma. Não adianta querer tirar mais dela, porque ela nasceu assim. Às vezes é prum romance, às vezes prum conto, às vezes prum... micro-conto, vamos dizer desse modo. Afinal, nada de torcer o nariz para formas novas. Isso é coisa de velhote conservador. É ridículo o que já aconteceu na história a esse respeito, e eu não quero me enquadrar na categoria. Então, lá vai.
I hope you like!
Un abraccio!

MATURIDADE
Quando a noite torna-se uma criança, um homem torna-se um homem.

August 25, 2009

Novo

Voltando a escrever.
Já havia dito isso da outra vez.
Mas agora, mais prosa do que poesia.
Me gusta màs!
Sou um filho ingrato da poesia. Fui adotado por ela, mas sempre almejei escrever mais prosa: crônicas, ensaios, contos, romances. Agora que as coisas estão serenando em minha vida, vou tentar recuperar o elan criativo que tive há alguns anos. Elan interrompido por causa da faculdade, depois pelo novo emprego, pela separação, enfim... Com isso o anos passam e quando a gente se dá por conta lá foram 10 anos.
Mas chega de papo que o lance aqui é mostrar serviço. Então lá vai minha nova criação.
Espero que apreciem.

TOQUEMOS JUNTOS

Me comporto como se tudo fosse música. Ajo governado por meu ritmo interior.
Ocorre que este ritmo nem sempre concorda com o ritmo do mundo e, então, saio de compasso. Tenho que sintonizar novamente o ritmo das coisas e esquecer por um momento a minha frequência interior. O que é sempre um processo doloroso e estressante, pois quando isso acontece tenho de fazer um esforço, afinar o ouvido novamente para ouvir a música que o Universo está tocando.
Sim, o Universo. Pois creio que a expressão a “harmonia das esferas”, usada por Newton, não seja apenas uma metáfora para expressar a perfeição da gravitação universal da órbita dos planetas, mas a expressão para a ordem subjacente de todas as coisas: a música.
E música é ritmo. E ritmo é matemática.
Pitágoras já dizia quase o mesmo: que os números governavam o mundo.
Enfim, para eu, que não sou muito afeito aos números, o mundo é mesmo governado pela música.
Há uma música universal tocando e só as sensibilidades mais aguçadas são capazes de a captar, sendo a música como a conhecemos, apenas uma expressão singular dessa música universal. Pois há música no ato de criar, seja ele qual for; há música no trabalho, quando gostamos do que fazemos; há música no amor, quando estamos apaixonados; há música nas nossas vidas, quando estamos com saúde e ganhamos o suficiente para pagar as contas, investir e economizar. Há música quando conseguimos “reger” todos essas facetas do nosso ser, de tal forma que todos eles trabalhem em harmonia: a saúde, o amor, as finanças, a realização profissional.Quando um deles desafina, desafinamos como um todo e como, na música, um desafino é sempre desagradável ao ouvido.
Os povos primitivos viviam em harmonia com a natureza. Seus ciclos de nascimento, crescimento e morte. A civilização afastou o homem do seu meio e ficou mais difícil para ele apreender o ritmo natural.
Há muitas dissonâncias hoje que são fonte de doenças, desajustamentos, exclusão e violência. O homem não vive mais em harmonia com o seu meio. Se despersonaliza, não se reconhece naquilo que faz. O trabalho lhe obriga a cumprir horário, a fazer coisas que não tem vontade. Não é por acaso que o índio morria quando escravizado. Tirado do seu meio era obrigado a empregar a sua força de trabalho para gerar a riqueza de poucos. O que ele não entendia. Na natureza tinha tudo do que precisava e só agia quando realmente necessário.
O trabalho - e mais ainda a sua falta, pois o meio lhe impõe isso - é a maior fonte de stress do homem moderno, pois o obriga a um ritmo que não é o seu.
Na medida do possível tem de haver uma adequação. O homem tem de o ajustar ao seu ritmo interior. Quer dizer, escolher aquele que mais se adequa a si. O que é um privilégio para poucos que podem preparar-se adequadamente para o exercício de uma profissão realmente satisfatória. Não apenas como um meio de subsistência, mas também como fonte de realização. A sensação que se está cumprindo com aquilo para que se nasceu.
Mas estamos chegando lá. A civilização pós-industrial começa a ser dar conta de que o homem tem de ser o centro das suas preocupações. Garantir o seu bem estar, a satisfação com o seu trabalho e a sua saúde. Só assim haverá produção de qualidade, pelo menos naqueles setores em que o produto é esforço da inteligência, da sensibilidade e da criatividade. Às máquinas deixamos o trabalho duro e burro. Máquinas que, uma vez pensava-se, iam substituir o homem. Sim, substituíram, mas só naqueles trabalhos que não exigem criatividade e inteligência. Cada vez mais o homem pode se liberar para essas tarefas. E para essas, tem de estar bem consigo e com seu meio. Em harmonia.
Algo que, nos dias atuais, todo mundo começa a buscar, na medida em que está ficando cada vez mais claro que a saúde não é só uma condição orgânica, mas também fruto de um estado psíquico e emocional equilibrado. O que só se consegue quando se escuta a música interior de cada um e ela vibra na mesma freqüência com o seu meio.
Sócrates dizia: conhece-te a ti mesmo. Poderíamos complementar este provérbio com: escuta-te a ti mesmo! Busca sintonizar o teu ritmo interior com o ritmo do Universo, pois quando eles vibram juntos, tudo flui melhor. O que de certa forma define o conceito de sinfonia. Do grego sym- reunião, com – phonia – sons, vozes. Reunião de sons e vozes.
Toquemos juntos, então!

August 15, 2009

DE REPENTE

Voltando a produzir. O que é muito bom. Parece que as coisas vão se estabilizando na minha vida, o que vai me dando a necessária tranquilidade para voltar a escrever. Aí vai um dos últimos poemas produzidos recentemente. Nasceu como prosa, mas depois vi que dava samba, quero dizer, poema.
Boa leitura!

DE REPENTE

De repente a vida se torna complexa demais.
Queríamos apenas um bom emprego
ganhar bem
garantir a subsistência
curtir a vida.
Mas
de repente
nos vemos envolvidos com a criação dos filhos
o financiamento da casa
a faculdade por concluir
e as dívidas que se acumulam.

O dinheiro que era muito
torna-se pouco.
O que gera mais dívida
que gera mais trabalho
que gera mais cansaço
que gera mais insatisfação
sem que saibamos
como tudo começou.

De repente os anos se passam
e quando podemos realizar os projetos adiados
descobrimos que já não despertam mais
interesse.

Ficamos velhos
de repente
e de repente
já não sabemos mais
se haverá tempo
para recuperar o tempo

perdido.

August 09, 2009

Ensaio

Um pequeno ensaio. Talvez seja isso. Ia chamar de crônica, mas acho que não se encaixa bem no gênero.
Bem, independente do que seja, o importante é escrever.
Lembram daquela imagem: o jogador à beira do campo, se aquescendo para entrar no jogo. Já falei aqui e em outras oportunidades: é como me sinto em relação à escrita. Alguém se aquescendo para entrar no jogo de verdade.
É nesse sentido então que vai o texto abaixo.

PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS

O homem durante muito tempo exigiu provas da existência de Deus, e os céticos dizem não serem capazes de crer porque não O entendem. Esquecem que muitas coisas também não entendem, nem por isso deixam de acreditar nelas. A natureza, por exemplo.
Contudo, a ciência, há mais de 500 anos, se propôs a explicá-la e foi jus-tamente por isso que se rebaixou o status do sobrenatural. O homem anteviu a pos-sibilidade de viver sem Deus, colocando em seu lugar outra forma de explicar o mundo. Seria apenas uma questão de tempo decifrar todos os seus enigmas, e hoje as pesquisas avançam DNA adentro, átomo e através do Universo. Mas ainda há muitos mistérios a serem respondidos. Qual a origem da vida? O que é afinal a ma-téria? Estamos sós no Universo?
Essas são questões que permanecem ainda sem respostas. O que não im-pede que o homem, municiado de todo aparato tecnológico existente, continue a procurá-las.
Como resultado desse esforço o homem acumulou, através da história, uma quantidade enorme de informação e conhecimento. O que tem forçado as no-vas gerações a buscar a especialização como forma de se destacar na sua área de atuação. Já há muito, foram-se os tempos em que o homem podia aspirar ao ideal faustiano: dominar todas as artes e ciências. Nesse sentido, é inconcebível, hoje, qualquer pesquisa de ponta sem a especialização e o trabalho em equipe, pois já não é mais possível apenas um cérebro dominar toda a informação disponível.
Assim, aquela exigência inicial do cético, de entender para crer, já não faz mais sentido nos dias atuais, pois não se diz para ele que a sua interrogação não tem resposta, apenas que é impossível dominar todo o conhecimento que está por trás das novas tecnologias. Não é por não entender como funciona o telefone celular que não vamos usá-lo. O mesmo podemos dizer das demais tecnologias como os automóveis, as mídias reprodutoras de som e imagem, mas, sobretudo, do computa-dor. Este último, então, tem aberto um mundo de possibilidades que deixa qualquer cético em xeque.
O que fazer se não crer no técnico de informática quando nos diz os co-mandos que devemos dar para um programa funcionar? Alguém ainda se atreveria a perguntar “por quê” quando se sabe que os sistemas operacionais nada mais são do que plataformas rodando uns sobre os outros, sendo o último apenas uma interface mais amigável? Ninguém se pergunta que complexos sistemas eletrônicos está acio-nando quando dá partida no carro. Queremos apenas que o carro nos transporte em segurança até nosso destino, assim como o celular tenha sinal para satisfazer a nossa necessidade. Quando não funciona, sempre haverá um técnico especializado a quem consultar. É como se hoje, ao irmos ao mecânico ou ao técnico de informática, fôssemos, nos tempos de Sócrates, ao oráculo para saber as respostas.
A questão não é mais que não há respostas. A questão é que não podemos saber tudo.
É nesse sentido, então, que eu me refiro: diante da enormidade de infor-mação disponível no mundo, hoje, está se abrindo um novo espaço para o sobrenatu-ral, pois a par de o homem ainda não ter conseguido responder as questões essenci-ais com todo este saber, este saber tornou-se ele mesmo um mundo à parte. Mundo este descolado daquelas questões iniciais que o originaram. À força de se chegar até elas o homem perdeu-se no caminho e hoje dá-se por satisfeito com os benefícios indiretos auferidos: as aplicações práticas deste saber. Aplicações estas que melho-raram sem dúvida o nível de vida das pessoas, mas que ainda continuam a lhes dei-xar sem respostas.
É nesta brecha – entre a promessa e cumprido da ciência - que as crenças voltam a se inserir, recuperando o status perdido, pondo à disposição do homem outras formas de apreender o real e a prática dos ritos equivalentes.
E neste terreno cabe ao neófito um pouco de cautela. Recuperar práticas e ritos aprovados e comprovados através da história, sob a guarda de instituições que através dos milênios lidam com estas questões, separando o joio do trigo. Como a igreja, por exemplo. Afinal, não seria esta a oportunidade adequada para ressuscitar o conceito do velho e bom Deus, depois que a História declarou a sua morte?