October 27, 2008

Convite

Amigos, quinta-feria, dia 30/10/2008, às 19 horas, no Teatro Múcio de Castro, estará acontecendo o lançamento do Festival de Cinema de Passo Fundo, com filmes produzidos aqui.
Na ocasião será exibido o filme Diga Três, produzido pelo Dr. Jorge Salton e do qual eu participo.
O filme tem a duração de quase duas horas e após a sua exibição o mesmo será debatido.
A título de registro: este filme é o primeiro longa metragem produzido em Passo Fundo, após 30 anos do filme Gaúcho de Passo Fundo, produzido em 78, pelo saudoso Teixeireinha.
A entrada é franca e quem não viu o filme ou quer ver de novo sinta-se convidado a prestigiar o evento.
Divulguem para os amigos e conhecidos. Temos que prestigiar iniciativas como estas.
Um abraço.

October 19, 2008

Encontros literários - continuação.

Continuando a minha fala sobre o encontro literário da última sexta-feira, vinha eu dizendo que a professora ia responder a minha questão.

Na verdade não lembro o que ela respondeu, porque achei que ela tergiversou sobre o assunto e não soube o que dizer. Ao que o Moacir a socorreu, intervindo e dizendo que na verdade o Guimarães criou um idioma próprio, forjado não apenas com expressões do rés-do-chão do povo, mas também com neologismo e expressões cunhadas de outros idiomas, dos quais ele conhecia vários.
Não sou um grande conhecedor da obra do Guimarães - li os contos de Sagarana, mas não avancei no Grande Sertões: Veredas - para contestá-lo, mas me parece que grande parte da obra rosiana é forjada mesmo em cima do linguajar do povo e como tal não fiquei satisfeito com a resposta, afinal de contas a sensação de contradição e ingratidão da sua obra não restou afastada.
Moacir ainda ajuntou que James Joyce fez o mesmo em sua obra e ambos estão pouco se importando se quem os lê os entende ou não. Eles escrevem daquele jeito e quem os quiser ler tem que entrar em seus universos.
É claro que aqui estamos tratando de duas figuras ímpares da história da literatura mundial, mas literatura para mim não é isso, ou não é apenas isso.
Acho que há dois extremos aí: o caso dos autores acima que levam as suas experiências linguísticas ao extremo e o caso dos best-sellers que pouco estão preocupados com a língua. O que eles querem mesmo é contar uma história.
Para mim, penso que a virtude está no meio. Nem tanto ao céu nem tanto à terra. Pois os primeiros tornam-se herméticos - e às vezes, deliberadamente, uns chatos - e outros se tornam puramente escritores de entreterimento, escritores que não estão preocupados com trabalho da linguagem, de como esta, a par DO QUE se está contando, tem também o seu prazer em COMO se está contando essa história.
Cito como exemplo dessa virtude do equilíbrio Cortázar do qual reli recentemente seus contos do livro, Fogo, Todos os Fogos e o qual eu considero uma obra prima.
Enfim, acho que a literatura como obra de arte tem dupla finalidade: proporcionar o prazer estético da linguagem, através da contação de uma história e ajudar o homem a atravessar a existência com a sensação de que a sua história também pode ter beleza e sentido.
Acho que para isso os extremos não colaboram, seja porque a comunicação entre autor e leitor tem que se estabelecer, seja porque esta comunicação também não pode ser apenas uma conversa fiada.
Mas enfim... há momentos para tudo na vida e até estes extremos encontram lugar em nosso coração, por que quem às vezes não quer aprofundar sua experiência com a língua, de vez em quando, ao ler um livro? E quem também não quer apenas se divertir?
Não sejamos radicais, afinal, como dito acima, a virtude está no meio. Mas este meio não pode ser representado como um um pêndulo imóvel, mas como um pêndulo que oscila de um extremo ao outro, estando por breve momentos de cada lado, sabendo, contudo, que é o centro o seu lugar.

Um abraço a todos e até o próximo post.

PS: obrigado pelo retorno dos meus leitores. Parece que o negócio do email deu certo. Recebi várias manifestações no meio email de vocês. Fiquei satisfeitíssimo com o resultado, afinal do que vale escrever se não é para ser lido?
A propósito ainda dos Encontros Literários do Sesc, quero informar a vocês que este Encontro de sexta feira, foi apenas o pontapé inicial de uma oficina de criação literária sobre o conto que começa na próxima sexta-feira, dia 24-10, ali no Sesc mesmo, da qual eu pretendo participar.

October 18, 2008

Encontros Literários

Ontem - 17/10 - o Sesc trouxe a Passo Fundo, dentro da programação dos Encontros Literários do bimestre setembro/outubro, o escritor Moacir Scliar e uma professora da Ufrgs - da qual agora me foge o nome - para palestrar sobre os escritores Ciro Martins e Guimarães Rosa, respectivamente.
Foi algo bastante rápido. Não fosse a participação do público - pouca aliás - a noite poderia se dar por perdida.
A professora foi rápida, embora interessante, em sua paletra, sobretudo ao trazer para nós um livro que compila as cartas de Guimarães com seus tradutores para outras línguas. O cuidado que ele tinha para que a tradução não estragasse a obra nessas versões. Coisa que ele considerava que havia acontecido com a versão para o inglês nos EUA.
Moacir palestrou sobre Ciro Martins, o qual conheceu pessoalmente, e com o qual chegou a se tratar, eis que além de escritor, Ciro Martins era médico, com especialização em psicanálise. Especialização porque naquela época a psicanálise ainda era uma novidade e ele teve de fazer o curso fora do Brasil, mais especificamente em Buenos Aires.
Chamou a atenção na palestra de Moacir a ênfase que ele deu para o fato de que nas duas atividades - na psicanálise e na escrita - o profissional tem de ter o cuidado ao lidar com a palavra. Um na sua expressão oral, outro, na escrita. E ressaltando que em ambas Ciro Martins era um mestre.
Aberto para perguntas apenas eu, mais um amigo e outro rapaz intervimos.
Deixei primeiro para este meu amigo que, em geral, faz suas intervenções nesses debates, começasse o ciclo de perguntas.
Ele dirigiu-se ao Moacir. Como, porém, eu achei que ele não foi muito feliz nesse intervenção, procurei a complementar colocando a questão para o mesmo palestrante se ele achava que a escrita era uma forma de terapia, já que estávamos nesse terreno do cruzamento entre a escrita e a psicanálise. Ao que ele concordou. Mas não achei nada de especial na sua resposta, pois ele não aprofundou o tema como eu esperava.
Então, tomei a deixa e fiz para a professora a questão que realmente eu queria ver esclarecida. Sobre Guimarães Rosa.
A questão era: até que ponto não havia uma contradição na obra de Guimarães quando este, se apropriando do linguajar do comum do povo, construiu com ela uma obra erudita, quase inacessível à maioria da populaçao, especialmente ao matuto de quem ele se apropriou do falar? Não havia nesse gesto até um ato de ingratidão para com este povo?
Ao que ela respondeu - continuo na próxima.

October 14, 2008

Para refletir!

O editorial de Zero Hora de hoje - 14-10-2008 - traz uma frase de efeito nestes tempos de crise do sistema financeiro internacional.
Vale por mil palavras - ou mil livros - sobretudo dos ideólogos do Estado Mínimo quando a realidade se impõe e assusta.
A frase é de Ben Bernanke, atual presidente do FED (e olha que fede mesmo) do Estados Unidos.
Diz ele:
"NÃO EXISTEM ATEUS NAS TRINCHEIRAS OU IDEÓLOGOS EM CRISES FINANCEIRAS".
Não é que rimou!
Até parece versinho ou mantra para ser repetido por aqueles que precisaram de socorro financeiro nesta semana e precisam agora de alívio moral também.
Um abraço.

October 09, 2008

Entrevista

Concedi hoje mais uma entrevista para a TV Câmara. A convite do Paulo MOnteiro, Presidente da Academia Passofundense de Letras. Não tinha nada de novo, em termos editoriais para trazer, pois ainda não consegui editar meu segundo livro de poemas que se encontra praticamente pronto desde a minha última entrevista. Mas conversamos sobre diversos assuntos.
É interessante como dessas conversas entre duas pessoas que compartilham o gosto pelo saber podem surgir temas instigantes para o debate. Falamos sobre a poesia, sobre a sua suposta "inutilidade" - tese do Paulo - que eu contrapus, usando do argumento do ócio criativo. No calor desta argumentação ocorreu-me uma idéia que achei interessante sustentar e a qual, acredito, pode ter ainda maiores desdobramentos. Trata-se da idéia de que a atitude do verdadeiro poeta ou do escritor é esta mesma: a de sustentar a sua inutilidade contra o utilitarismo da sociedade atual, pois na medida em que assim se coloca, como um inútil - o que me fez lembrar da música do Ultraje a Rigor dos anos 80: "Inútil, a gente somos inútil...", lembram? - o escritor se contrapõe aos valores dominantes, afirmando-se assim, como a antítese desta tese. E como antítese ou negação desses valores, o elemento fomentador da transformação, na medida em que como antítese provoca o surgimento de uma nova síntese (desculpem o pleonasmo, mas me pareceu inevitável).
Tarefa ingrata, esta do intelectual, é verdade, pois praticamente apedrejado em praça pública por essa atitude, sobretudo no interior onde a transformação demora mais para chegar.
E por falar em transformação, achei interessante também uma afirmativa do Paulo com relação a mudança da imagem que Passo Fundo está sofrendo em nivel nacional. Transformação esta detectada pelo Paulo por ocasião da viagem deste ao Rio de Janeiro, onde ele mais alguns membros da Academia de Letras de Passo Fundo estiveram visitando a Academia Brasileira de Letras, acompanhando o aluno vencedor do concurso promovido pela Academia daqui sobre Machado de Assis.
Trata-se da substituição da velha imagem de Passo Fundo como a cidade mais gaúcha do Estado, moldada pela música do Teixeirinha, para uma nova e mais moderna imagem: a da cidade que mais lê no Brasil, no embalo das Jornadas literárias e do título decorrente de Capital Nacional da Literatura. Nós que moramos aqui sabemos que as coisas não são bem assim, mas enfim... como intelectual - ou aspirante a tal - não posso negar satisfação que esta mudança esteja ocorrendo e nesse sentido.
Quem sabe nós, que moramos aqui - volto a repetir - não estejamos enxergando, como os de fora essa mudança e só vamos nos dar conta quando ela estiver definitivamente instalada e começar a dar os seus frutos, quais sejam, o surgimento e a valorização dos novos e bons autores locais, pois para mim, como autor, é isso realmente o que interessa e faz de um meio um irradiador de cultura.
Enfim falamos sobre diversos outros assuntos que podem ser conferidos na íntegra por quem assistir a entrevista.
Se a virem, aliás, me dêem o feedback da mesma, o que é sempre interessante para quem cria ou expõe alguma coisa.
A entrevista deve ir ao ar na próxima sexta-feira - dia 17-10 - com reapresentação no domingo - dia 19-10.
Um abraço e até o próximo post.

October 07, 2008

Dica de filmes

Assisti neste fim de semana a um filme muito interessante: Na Natureza Selvagem, com direção de Sean Penn. Vale a pena dar uma olhada. A história é baseada em fatos reais e conta a aventura de um jovem da classe média americana que se forma na universidade e começa a questionar os valores da sociedade e da sua família. Em busca de resposta, parte numa jornada através dos Estados Unidos à la Jack Kerouak.
No caminho faz muitas amizades e deixa em cada uma das pessoas que conhece marcas profundas. Por tabela, também o espectador é impactado com a força do personagem e seu questionamento dos valores que adotamos há muito tempo como dogmas - dinheiro, carreira, família.
Para quem não tem medo de enfrentar os seus fantasmas o filme vale como uma reflexão para ver se a vida que está levando faz mesmo algum sentido.
Outra dica imperdível de filme é Across de Universe. Trata-se de um musical cuja trilha sonora é toda dos Beatles, com legenda das letras das músicas. Entre os atores, Joe Coecker e Bono Vox do U2, que faz no filme o papel de Dr. Robert.
O filme se passa nos conturbados anos 60 com a Guerra do Vietnã, drogas e rock in roll como pano de fundo.
Há um fio condutor da história que pode a situar no gênero romântico. Para quem torce o nariz para o gênero, vale a abstração da história diante da magnífica interpretação dos atores/cantores e pelas cenas que valem quase como um colagem de clipes muito bem realizados.
Para mim, o ponto alto do filme são as cenas que ilustram as música I wanna hold your hand, Come Togheter, interpretada por Joe Coecker e I am Walruss, interpretada por Bono.
Mas há outras igualmente lindas.
Um abraço e bons filmes.