PERDAS
O dia atormenta:
trânsito
trabalho
contas por pagar.
Mas acaba
e quando o faz
inventaríamos
o que resta de nós
- um corpo lasso
que mal responde a estímulos;
uma mente esgotada
como uma passa de uva
diria um amigo meu:
chupada
seca
sem vida.
O dia acaba
mas ainda estamos vivos
e esse pouco de vida
é suficiente
para nos fazer acreditar
que ela nos trará
- amanhã -
a plenitude
que
- hoje -
não temos mais.
2 comments:
Gostei Julio. Muito bom.
Aceitas um desafio4?
Nao que o nos traga "pra baixo", porque nada mais é do que a realidade do nosso cotidiano visto pelos olhos de um poeta. E isto merece ser dito, e dissestes bem. Mas o texto dá margem a pensarmos que haverá uma seguencia. Ou seja, que amanhã teremos a plenitude. Então este é o desafio. Falar da plenitude, de algo "pra cima". De um domingo com sol e futebol. 1De um papo com os amigos, de um chimarrão na praça...
Que tal???
Um grande abraço
Juarez
Juarez, o poema tem exatamente a pretensão contrária: mostrar que devemos deixar de nos iludir com o tempo, com o adiamento, com essa coisa de que essa plenitude só virá amanhã quando ela deve existir todos os dias da nossa vida. Mesmo quando o dia tem nos sufocado, nele - num raio de sol, num gole de coca, água ou café, no sorriso de uma criança, no beijo na mulher amada - é que devemos buscar essa plenitude. Essa coisa de pensarmos que amanhã seremos felizes, quando os problemas não mais existirem, é a maior ilusão em que uma pessoa pode viver. Temos que viver o hoje e dele extrairmos o sumo da beleza e da vida, custe o que custar. No batermos com a vida, extrairmos dela o que ela tem para nos dar. Um abraço e obrigado pelo comentário.
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