June 26, 2009

Poema II

Da mesma leva do poema anterior,aí vai o segundo nascido na mesma madrugada.
Espero que apreciem.
Um abraço!

FAÇA CHUVA, FAÇA SOL

O vento ruge na madrugada fria
como a demonstração mais cabal
da hostilidade do mundo.
Na madrugada que quase é dia
e os homens
serão arremessados de suas camas
para a dura agonia
do trabalho

faça chuva
faça sol.

Que bom seria
se
de vez em quando
se pudesse dizer:
- Hoje não vou sair daqui. Debaixo das cobertas.
O dia está feio e hostil. Que sentido faz mourejar num dia assim?
Quem virá a minha loja
feira
ou balcão?

Mas o espírito burguês
empresarial
empreendedor
dirá:
- Perdido o dia aquele em que não trabalhar!

E assim vai o trabalhador
curvado sob a chuva
contra o vento
ao amanhecer,
tirado dos braços da sua companheira
para a faina asneira
do alvorecer

faça chuva
faça sol.

June 23, 2009

I'm back!

Olá!
Depois de algum tempo afastado, retorno. Não é propriamente a volta do mortos vivos, mas quase. Literariamente falando, é claro.
Essa noite, contudo, perdi o sono e fui tocado pela Poesia. Assim do nada, como normalmente acontece com minhas criações.
Dois poemas. Uma beleza. A satisfação de voltar a criar.
Um vou postar aqui. O outro, outra hora.
I hope you like.
Um abraço.

CHÃO

Quando não há mais nada
é ao chão que retornamos.
É ele que nos referencia
como última instância
do existir:
quando caímos
quando não temos
pra onde ir
onde pôr nossas coisas
o corpo cansado
nosso estado de espírito.

Chão
lona
rés
solo
chão batido
terra
piso...

É a lei da gravidade –dirão uns - pra simplificar.
É a lei de não ter pra onde ir – direi eu.

Chão
derradeira pátria do existir.
Nossas coisas
também em ti
acharão lugar
depois de tantos anos
mantidas em pé
em armários
estantes
prateleiras
guarda-roupas
- onde se esconder.

A ti
retornarão
antes de sumir.