Da mesma leva do poema anterior,aí vai o segundo nascido na mesma madrugada.
Espero que apreciem.
Um abraço!
FAÇA CHUVA, FAÇA SOL
O vento ruge na madrugada fria
como a demonstração mais cabal
da hostilidade do mundo.
Na madrugada que quase é dia
e os homens
serão arremessados de suas camas
para a dura agonia
do trabalho
faça chuva
faça sol.
Que bom seria
se
de vez em quando
se pudesse dizer:
- Hoje não vou sair daqui. Debaixo das cobertas.
O dia está feio e hostil. Que sentido faz mourejar num dia assim?
Quem virá a minha loja
feira
ou balcão?
Mas o espírito burguês
empresarial
empreendedor
dirá:
- Perdido o dia aquele em que não trabalhar!
E assim vai o trabalhador
curvado sob a chuva
contra o vento
ao amanhecer,
tirado dos braços da sua companheira
para a faina asneira
do alvorecer
faça chuva
faça sol.
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