Pois é, essa expressão latina que quer dizer aproveitem o dia vem desse filme.
Para quem assistiu, é inesquecível. Para quem não viu, altamente recomendável.
Escrevi hoje uma crônica na qual a expressão encaixou-se perfeitamente.
Vejam o que vcs acham.
Un abraccio!
CARPE
DIEM
Primeiro é o
Carnaval, depois o horário de verão, dali a pouco é aquele ventinho mais frio
que anuncia o inverno e pronto: lá se foi mais um ano. Digo, o começo de mais
um ano. Entramos na roda-viva do ano que começa e daí para a frente é ligar o
piloto automático até as férias de inverno – breves – e o fim de ano. Outubro: primavera; novembro cheirando a dezembro. Dezembro? Nem se fala. Esse praticamente se resume às festas: Natal e Reveillon. Janeiro ou fevereiro – se for juiz, os dois - férias, praia ou outro programa do gênero. Carnaval... bem, não preciso me repetir.
Assim é o ano. Assim é a vida que nos escorre pelas mãos!
O tempo passa muito rapidamente. É uma conclusão inevitável. Para quem, como eu, viveu isso pelo menos 44 vezes, começa a ficar evidente que esse ciclo é ininterrupto e mais rápido que podíamos esperar ou desejar. O tempo passa e isso não é apenas uma constatação, mas um protesto também, afinal o fim disso tudo a gente sabe onde vai dar.
Mas essa é a vida e assim para todos. O que nos tranquiliza um pouco, mas não muda o fato inevitável. Por isso, vivermos o dia como se fosse o último também parece um fato inevitável, afinal o tempo passa você o aproveite ou não. E aproveitar ainda parece a melhor opção. É claro que quando isso for possível, ou seja, quando você não esteja doente, sem emprego ou endividado, porque nessa três situações só vai se pensar numa coisa: sair delas. Afora isso, temos que criar formas de fazer a vida valer a pena. Carpe diem, como nos ensinou o inesquecível filme Sociedade dos Poetas Mortos - Oscar de melhor roteiro original de 1990 -, pois o tempo é inexorável e a única coisa que pode detê-lo é o poder da imaginação.
Quando viajamos e conhecemos lugares diferentes, de certa forma estamos fazendo isso: detendo a passagem do tempo. O mesmo acontece quando vivemos qualquer experiência nova.
Já disse um estudo que a sensação do tempo passar rapidamente deve-se ao fato de que vivemos na rotina. A indiferenciação das experiências vividas nos provoca isso. Tudo parece uma sucessão interminável dos mesmos fatos, pessoas e sentimentos. Com o tempo tempo a mente desliga e quando vemos, bum, passou um ano, dois, uma década. Mudar as coisas faz o tempo andar mais devagar. A mente se detém nessas experiências – o piloto automático é desligado - e passamos a contar o tempo não mais em dias, meses ou anos, mas em realizações. Enriquecemos em experiências e como seres humanos. Nossa memória se qualifica e associamos a passagem do tempo a esses fatos.
Experimenta! Lembra da tua última experiência mais significativa? Quando ela aconteceu? Ontem? Há uma semana? Há um mês? Há um ano? Viu? É fácil lembrar?
Agora me diga: o que você comeu terça-feira da semana passada?
Difícil,
né! Então, façamos valer a pena! Vivamos! Assim a passagem do tempo se tornará
menos cruel e a vida terá valido à pena.
Quando
do alto dos nossos 70, 80 anos olharmos para trás, não lembraremos por certo de
muitas coisas, apenas daquelas que nos marcaram mais profundamente e o número
delas nos dirá se vivemos ou não e, como à noite, quando pomos a cabeça na
travesseiro, se vamos dormir ou não.
Afinal, como já dizia um poeta (eu):
Dormir é
como morrer
(...)
Nem a
todos
é consentido.
Pois
dormircomo morrer
implica
(...)
Ter amado
Ter vivido[1].