February 21, 2013

Yoani Sánchez é de Direita?

Artigo que escrevi hoje sobre a curiosa situação da blogueira Yoani Sánchez em terras brasileiras.
Hostilizada pela esquerda, recebida de braços abertos pela direita, cujos alguns dos seus mais destacados representantes posam na foto como se alguma vez tivessem lutado pelas mesmas causas, tais como os direitos humanos, a liberdade de expressão e o pluralismo político.
Refiro-me ao Ronaldo Caiado - DEM - e Jair Bolsonaro - PP.
Correndo por fora, o Aécio - PSDB - para ver se tira algum proveito eleitoral.
É, no mínimo, uma situação risível. Mas vindo de quem vem, não é de surpreender.
Vejam o que vocês acham.
Um abraço,


Yoani Sánchez é de Direita?

            A visita da blogueira cubana Yoani Sánchez ao Brasil está causando uma verdadeira confusão nos conceitos tradicionais do que é ser de direita e de esquerda.
             Tradicionalmente identificada com a oposição, a esquerda sempre representou a  contestação aos valores postos, a ala dos que exigem reformas, alinhada, pois,  com os movimentos que lutam pelos direitos humanos, por um meio ambiente sadio e por uma sociedade mais justa. Contra, portanto, aos interesses do capital e das grandes corporações que visam o lucro, antes de mais nada.
            Contudo, a chegada de Yoani Sánchez ao país está causando um verdadeiro rebuliço de conceitos.
              Causa estranheza que alas da esquerda do país a estejam hostilizando, enquanto setores da direita a recebam de braços abertos, afinal não me parece que essa pessoa tenha qualquer vinculação com um lado ou com o outro. Até onde eu sei, a causa pela qual ela luta é pelo fim da ditadura em Cuba. Luta que por certo interessa a muita gente, sobretudo ao EUA.  Contudo esse fato por si não só não quer dizer que haja um alinhamento ideológico entre ela e o Tio Sam.
               Embora tenha a pretensão de representar a materialização do sonho comunista, Cuba, assim como a Coréia do Norte e a antiga União Soviética, há muito tempo deixou de representar esse ideal, afinal é nítido o descambamento desses regimes para a ditadura e o totalitarismo. Lutar, pois, contra eles não parece que faça dos seus opositores simpatizantes do capital, da exploração dos trabalhores, da concentração de renda, da desigualdade social e das agressões ao meio ambiente.
            Nesse contexto, é surpreendente a manifestação de alguns setores de esquerda – quiçá movido pela manus longa do Regime Cubano – contra a presença de Yaoni em nosso país. De outra parte, é no mínimo engraçada a dança de acasalamento em torno dessa senhora ensaiada por figuras tradicionamente ligadas ao capital e aos regimes despóticos, tal como Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro, que na visita que a blogueira fez a Brasília, sentaram-se aos seu lado. Assim como oportunistas de plantão, com pretensões eleitorais, como o virtual candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves e outros.
            Mais coerente de todos, o senador Eduardo Suplicy estava presente, pois me parece que para além do maniqueísmo das cores partidárias, esse senhor consegue enxergar o ser humano por trás do personagem criado por Yoani,  e mais longe, as suas aspirações mais profundas que é de viver em uma sociedade livre, juste e solidária, conforme, aliás, está expresso no art. 3º de nossa própria Constituição Federal.    
            E nesse sentido a constatação que se faz é que o maniqueísmo da direita e esquerda se revela pequeno para dar conta do mundo complexo em que vivemos. Afinal as causas hoje são tantas e tão variadas que nenhum partido ou ideologia coerente  tem condições de abrigá-las em seu programa.
            Não admira, pois, a confusão em que se meteram aqueles que resolveram fazer a defesa ou o ataque a essa personalidade pública. Cabia, isso sim, um pouco mais de preparo a essas pessoas para captarem os matizes que a caracterizam, pois ninguém em sã consciência pode ser contra uma pessoa que luta pela democraia, pela liberdade de expressão, pelo pluralismo político, utilizando-se para isso da palavra escrita e das denúncias das mazelas de um país que se agarra aos fantasmas do passado.

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