I'm back! Artigo que escrevi outro dia.
O que vocês acham about?
Abcs
A SELEÇÃO DO FELIPÃO, A GERAÇÃO Y E A COPA POSSÍVEL
A recente convocação do técnico Luís Felipe Scolari não parece ter incomodado a muita gente. Bem diferente dos tempos de antanho, quando a convocação do técnico da seleção brasileira era quase pauta de assunto de Estado. Se considerarmos, ainda, o agravante de que a Copa, dessa vez, será no Brasil, teríamos, então, uma comoção nacional.
Contudo, os tempos são outros e outras são as caras que irão nos representar. É uma seleção completamente renovada. Foi-se a geração Dunga, foi-se Romário, foi-se Ronaldo e quem iria fazer essa transição também ficou para trás: Robinho, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano foram atropelados pela história. Ou foram pela tal geração Y, ou diríamos, a geração Neymar – ao menos, em se tratando do mundo da bola?
Uma geração mais leve, uma geração mais descompromissada, uma geração sem culpa. Sim, porque a geração Y é isso aí: cuca fresca e qualidade. Qualidade e resultado. Afinal, em futebol, foi com essa geração que Felipão – essa raposa camaleônica, adaptável a tudo, até às piores adversidades – venceu a Copa das Confederações. E que bom que assim seja. Ou você queria Kaká na Seleção (o bom moço que tudo prometia, pouco cumpriu?); Ronaldinho Gaúcho (o gênio despediçado, mantido calado pelo irmão a troco de mulheres e festaS?); Robinho, de ascenção e queda meteórica? Adriano, o mandrião?
Deus, livrai-nos desse passado tenebroso!
Ao contrário dessa gente, hoje a seleção é composta por Oscar, talento puro e integridade; Neymar, genialidade e descontração; Marcelo, desconhecido no Brasil e fenomenal pelas laterais; Davi Luiz, cabeleira indomável e segurança na zaga; Paulinho, volante de rara qualidade, com disciplina tática e faro de gol; Bernard, a alegria das pernas de Felipão. E outros mais, jovens talentosos brasileiros em puro estado de graça.
Queremos a renovação. Queremos a novidade.
Xô passado de atraso e retrocesso! Sobretudo num país como o nosso que lutou pela Diretas, elegeu um playboy e o cassou; um sociólgo de Sorbonne e se decepcionou, até a ascenção no leme do país de um retirante nordestino, verdadeiro representante da raça brasileira, que deu um novo rumo ao país.
Contudo, as manifestações históricas de junho de 2013 foram uma demonstração cabal de que esta geração que aí está, não está aí pra brincadeira. Eles querem um país decente, um país que lhes dê orgulho de serem quem são: brasileiros. Deixamos de ser tão pacíficos e cordiais. Aprendemos a ir pras ruas, lutar por nossos direitos e melhores condições de vida. E as respostas que recebemos não foram satisfatórias. As obras da Copa não são uma unanimidade. Longe, disso. Ainda que seja preciso analisar com mais cautela o que efetivamente irá ficar pra população – o tal legado. O fato é que estamos longe de sermos aquele país que prometíamos há 2 ou 3 anos atrás. O país que definitivamente iria dar o salto para o futuro e deixar de ser só mais uma promessa. Mesmos sendo melhores que muitos – afinal nos tornamos o destino de imigrante do mundo todo: Bolívia, Uruguai, Senegal, Bangladesh e outros – estamos ainda muito longe de nos tornamos uma país de primeiro mundo.
Felipão captou isso muito bem. Deu uma cara nova à seleção. Deixou para trás o passado que Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Adriano representam e apostou na renovação. Com praticidade e resultado. Vencemos a Copa das Confederações. Pronto, o time estava formado. Ainda que haja jogadores de méritos questionáveis, Júlio César, por exemplo, o fato é que a Seleção é outra. Se tornou difícil, mesmo com todas as adversidades que ainda temos de enfrentar, ficarmos contra esse time. Afinal de contas, essa gurizada representa a renovação no futebol que esperamos também na saúde, na educação, no transporte público e na segurança. Que venha, pois, o hexa, mas que venha também as melhoras da condição de vida da população, afinal, com a geração que aí está, parece, acabou a ideia do pão e circo. Como já dizia os Titãs: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.
O gigante acordou. Quem não se deu conta, corre o risco de ser atropelado por ele.
JPerez
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