Ontem - 17/10 - o Sesc trouxe a Passo Fundo, dentro da programação dos Encontros Literários do bimestre setembro/outubro, o escritor Moacir Scliar e uma professora da Ufrgs - da qual agora me foge o nome - para palestrar sobre os escritores Ciro Martins e Guimarães Rosa, respectivamente.
Foi algo bastante rápido. Não fosse a participação do público - pouca aliás - a noite poderia se dar por perdida.
A professora foi rápida, embora interessante, em sua paletra, sobretudo ao trazer para nós um livro que compila as cartas de Guimarães com seus tradutores para outras línguas. O cuidado que ele tinha para que a tradução não estragasse a obra nessas versões. Coisa que ele considerava que havia acontecido com a versão para o inglês nos EUA.
Moacir palestrou sobre Ciro Martins, o qual conheceu pessoalmente, e com o qual chegou a se tratar, eis que além de escritor, Ciro Martins era médico, com especialização em psicanálise. Especialização porque naquela época a psicanálise ainda era uma novidade e ele teve de fazer o curso fora do Brasil, mais especificamente em Buenos Aires.
Chamou a atenção na palestra de Moacir a ênfase que ele deu para o fato de que nas duas atividades - na psicanálise e na escrita - o profissional tem de ter o cuidado ao lidar com a palavra. Um na sua expressão oral, outro, na escrita. E ressaltando que em ambas Ciro Martins era um mestre.
Aberto para perguntas apenas eu, mais um amigo e outro rapaz intervimos.
Deixei primeiro para este meu amigo que, em geral, faz suas intervenções nesses debates, começasse o ciclo de perguntas.
Ele dirigiu-se ao Moacir. Como, porém, eu achei que ele não foi muito feliz nesse intervenção, procurei a complementar colocando a questão para o mesmo palestrante se ele achava que a escrita era uma forma de terapia, já que estávamos nesse terreno do cruzamento entre a escrita e a psicanálise. Ao que ele concordou. Mas não achei nada de especial na sua resposta, pois ele não aprofundou o tema como eu esperava.
Então, tomei a deixa e fiz para a professora a questão que realmente eu queria ver esclarecida. Sobre Guimarães Rosa.
A questão era: até que ponto não havia uma contradição na obra de Guimarães quando este, se apropriando do linguajar do comum do povo, construiu com ela uma obra erudita, quase inacessível à maioria da populaçao, especialmente ao matuto de quem ele se apropriou do falar? Não havia nesse gesto até um ato de ingratidão para com este povo?
Ao que ela respondeu - continuo na próxima.
1 comment:
Geralmente, quando fazem esses encontros, o pessoal que aparece não conhece nada sobre o que vai falar. Muito menos o pessoal que vai.
Longe de mim querer tirar o mérito do Scliar, até porque nem fui nesse encontro, em particular. É apenas uma observação de quem já participou de vários encontros desses.
E isso não é problema daqui: em Porto Alegre acontecia o mesmo. O problema é escolhem trazer pessoas com nome para atrair público, e o resultado é aquém do desejado.
Esses tempos houve uma palestra na UPF sobre o livro do Drácula, mas, assim como você, deixo para contar isso depois (o que vai complementar tudo o que escrevi até agora).
Abraços (e me chama pro próximo)!
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