February 23, 2007

olá

Nada a declarar. Apenas mais um poema:

ESSA VOZ MINHA VOZ

Um dia
essa voz vai se calar
não porque
não tenha o que dizer
mas por já ter dito tudo
o que tinha para falar.
E quando esse dia chegar
já não me importa
de partir
outras plagas
alcançar
esse grão de poeira cósmica
que é minha alma
por onde ela navegar.

Se é que a consciência manterei
de um dia ter sido
essa unidade pensante.

É preciso mesmo renovar
as vozes que cantam
as mentes que pensam
os corações que amam.
Dar a oportunidade
de outros se expressar.

A morte não é o fim
apenas a necessidade de mudar.

É isso aí. Tchau!

February 16, 2007

Olá

Bem, vamos dizer que eu não me importo que ninguém tenha postado um comentário. Considerando isso vou continuar atualizando esta página. Uma hora ou outra alguém se encoraja a dizer algo. Amigos, conhecidos e irmãos que sabem o endereço desta página hão de um dia dar ouvido a este solitário trovador.
Até continuo cantando sozinho.
Contudo o mais importante que estejam me vendo. Não é preciso nem sequer postar um comentário, apenas me dar um sinal positivo.
Escrevi há um dois dias duas belas poesias. Estava em Sarandi, em auditoria em um Município próximo. A noite, no hotel, estava lendo Manuel Bandeira, quando baixou a inspiração. São dois poemas muito legal. Pena não tenho aqui para publicá-los, mas só para adiantar o tom de um deles, os seus primeiros versos são assim:
Meus filhos, os poemas
andam por aí,
circulando de mão em mão...

Não lembro mais o resto. Mas é um poema muito legal.
O outro começa assim:
E nem leio tanto
no entanto
bem mais
do que a grande maioria...

Este fala, de um lado, da ignorância do nosso meio; de outro, dos excessos intelectuais e academistas a que algumas pessoas se submetem para obterem os títulos de doutor ou o que o valha. Fala do amor ao conhecimento, mas não daquele conhecimento que está só nos livros ou entre quatro paredes de uma sala de aula. Mas sim, daquele conhecimento que está nas ruas, nas esquinas, nos bares da cidade e que muita gente não valoriza mais porque o conhecimento foi enclausurado nas academias e a maioria das pessoas acha que, por não terem um título, não é digno de crédito o conhecimento que têm. Uma grande besteira e um grande desperdício! O conhecimento com isso se tornou um grande negócio. Não é a toa que as coisas são assim.
Mas, voltando a vaca fria, lá vai mais um poema:

ESCASSO RARO TEMPO

Quando eu tinha
todo o tempo do mundo
a meu favor
podia fazer com ele
o que bem entendesse.
Hoje quando o tempo
escasseia para mim
já não posso dar-me ao sabor
de fazer com ele
o que bem entender.
Vai me faltar
se dele abusar
e a vida
escorrerá
por minhas mãos.
Já não posso dar vazão
a toda sorte de experimento.
Cabe-me ser preciso
objetivo
e assertivo
nos meus propósitos
de ser.
De outra sorte
hei de morrer
antes de viver
- antes de ter vivido.

E ai, o que acharam?
Por sugestão de um amigo vou dar mais atenção aos titulos dos meus poemas. VAleu Jorge!
Um abraço e até a próxima
Julio

February 09, 2007

Olá pessoal.
Como sempre - graças a Deus - habemos novidades.
Consegui achar um final melhor para aquele poema Churrasco.
É um poema que me é muito caro porque fala de um dos hábitos mais arraigados do gaúcho.
Por isso eu precisava achar um final melhor para ele, que preservasse a melodia que o mesmo tinha desde o início.
Vê se vocês concordam comigo.
Acho que agora ficou melhor do que a versão anterior que vocês mesmo podem consultar nesta mesma página, logo abaixo quando eu o publiquei na primeira versão.
Aguardo respostas. Se oceis gostaram mais da primeira ou da última. A mim me gusta mais a última, mas gostos são gostos, não é mesmo?
Vocês é que decidem - ainda que a palavra final seja do autor.
De lambuja vai junto um poema inédito.
Hasta la vista!
J.

CHURRASCO
(Que fala do amor entre o fogo e a carne)

Pinga a gordura
da carne
sobre o fogo
que em chamas
a(s)cende
e a lambe.

O fogo
que ameaçava
apagar
co’a carne
que se pôs sobre ele
se atiça
em chamas.
Suga o suco
que a carne
lhe derrama.
Ameaça a queimar.

Separa-os
o assador,
para que o fogo
em seu ardor
não destrua
o objeto do seu amor

apenas a asse.

Até o instante
em que o odor
da carne assada
indique ao assador
que pronta está
e a leve embora.

Deixando só
esse triste amador
sozinho a se consumir
em seu amor
e do qual
apenas cinza

restou

FUROR DAS HORAS

Minha sala é um mar de luz.
Naufraga em tanta claridade.
Meus olhos doem.
Quero ler
mas no escuro
não é possível
e com essa luz...
Já chega o dia
e a sua luz.

A noite
é um lenitivo
para a alma
mas inventamos
a luz elétrica
e o furor das horas
que devora
o pouco de paz
que nos restou.

Levamos
à exaustão
o corpo
a alma
a mente
o juízo
sem nos perguntar
se era preciso
ir tão longe assim.

Oxalá possamos voltar.

February 08, 2007

poetahoje

poetahoje
Olá! Embora ainda não tenha recebido nenhum comentário vou continuar publicando meus poemas mais recentes, inclusive 2 haicais que são resultado de poemas que nasceram tortos e tortos ficaram. Até que eu descobri que não tinham nascido para o que achava que fossem, poemas, mas para essa forma mais curta de expressar um flash de beleza, haicais.
Estes ainda são da leva daquela saída que dei uma noite dessas até o Boca.
Produzi algumas idéias legais.
Aliás, por falar em idéia legal alguém aí leu ontem no ZH- 07/02/2006 - o poema do Carpinejar?
Cara eu não entendi nada do que ele quis dizer. A linguagem é excelente, num belo nível intelectual, mas não liga coisa com coisa.
É isso que estou dizendo sobre a poesia moderna - ou contemporâneo - como queiram, os autores não falam mais ao coração do povo. Sobretudo os autores que tem aspirações a levar a sério a poesia, parece perpassar em suas concepções a idéia de que para ser poeta é preciso ser inintelegível. É por isso, creio eu, que a poesia tenha caído em tanta desgraça nos últimos tempos. É preciso resgatar essa tão magnifíca forma de se expressar, eu diria até, a forma por excelência de se expressar, do limbo em que se encontra por conta desta mania que os autores tem de complicar as coisas para o leitor.
Será mesmo necessário escrever de forma inintelegível para fazer boa poesia?
Voltemos as lições de Manual Bandeira - tipo: "diga trinta e três" - ou seja, às lições da simplicidade para fazermos uma poesia que fale ao coração das pessoas, que fale sobre o nosso tempo e leve a elas um pouco da beleza e magia das palavras.
Um abraço
Júlio
GARÇONS

Garçons inconvenientes
nada pior para um lugar
do que garçons inconvenientes.
Pensam
que são mais
do que apenas
garçons:
existem para servir.

Haicais:

Um homem tem valor.
Precisa o provar
todos os dias?


Corta na carne,
dói.
Será todo aprendizado assim?

February 05, 2007

poetahoje

Novo poema
Um poema novo só para manter a novidade do blog.

MULHERES MODERNAS

O assunto
entre mulheres
não dura
muito.
Quando elas
estão no bar
então
não dura nada.
É só pretexto
para disfarçar
estarem sós
numa mesa de bar.

February 02, 2007

poetahoje

Novas
Ontem tirei umas férias conjugais e fui assistir o jogo do Inter no Boca ( um bar famoso de Passo Fundo). Comi aquele xis que só o Boca tem e tomei umas quinze cervejas(brincadeira, foram só duas).
Bem o mais interessante disso tudo é que essa saída me rendeu uns quantos poemas e pensamentos que escrevi ali mesmo na mesa do bar. Sempre achei que fosse frescura esse negócios dos autores registrar a inspiração no momento em que ela acontece. Agora que já escreve há algum tempo vejo como esse recursos é valioso e imprescindível para a gente guardar aquele momento. Verdadeiramente não tem outro jeito, quando a coisa vem a gente tem de registrá-la se não ela nos escapa e foi-se.
Bem com isso consegui aumentar minha coleção de poemas para um segundo livro, quiça, dentro em breve.
Reproduzo alguns abaixo da minha produção de ontem.
Um abraço
Júlio

PS: se alguém está me lendo, please, me dá retorno disso, para eu saber se estou na rede. Thanks.
NO BAR

Os homens
são silenciosos
como aves de rapina.
Vasculham o lugar
de olhos acesos
sem demonstrar
interesse particular
por ninguém
pelo menos até encontrar
- a presa.

E ainda assim
disfarçar
faz parte do jogo.
Esperar
a hora certa
de atacar:
a distração da presa
algum sinal de o aceitar.

O jogo da sedução
é um intrincado
jogo de iludir
e enganar.
Quem não for
presa
ou rapina
não se ponha
a jogar.

CERTEZAS

Existem mulheres
com as quais
seria possível
passar um vida juntos.

Já outras há
que é melhor
sequer
se aproximar.