February 02, 2007

poetahoje

Novas
Ontem tirei umas férias conjugais e fui assistir o jogo do Inter no Boca ( um bar famoso de Passo Fundo). Comi aquele xis que só o Boca tem e tomei umas quinze cervejas(brincadeira, foram só duas).
Bem o mais interessante disso tudo é que essa saída me rendeu uns quantos poemas e pensamentos que escrevi ali mesmo na mesa do bar. Sempre achei que fosse frescura esse negócios dos autores registrar a inspiração no momento em que ela acontece. Agora que já escreve há algum tempo vejo como esse recursos é valioso e imprescindível para a gente guardar aquele momento. Verdadeiramente não tem outro jeito, quando a coisa vem a gente tem de registrá-la se não ela nos escapa e foi-se.
Bem com isso consegui aumentar minha coleção de poemas para um segundo livro, quiça, dentro em breve.
Reproduzo alguns abaixo da minha produção de ontem.
Um abraço
Júlio

PS: se alguém está me lendo, please, me dá retorno disso, para eu saber se estou na rede. Thanks.
NO BAR

Os homens
são silenciosos
como aves de rapina.
Vasculham o lugar
de olhos acesos
sem demonstrar
interesse particular
por ninguém
pelo menos até encontrar
- a presa.

E ainda assim
disfarçar
faz parte do jogo.
Esperar
a hora certa
de atacar:
a distração da presa
algum sinal de o aceitar.

O jogo da sedução
é um intrincado
jogo de iludir
e enganar.
Quem não for
presa
ou rapina
não se ponha
a jogar.

CERTEZAS

Existem mulheres
com as quais
seria possível
passar um vida juntos.

Já outras há
que é melhor
sequer
se aproximar.

1 comment:

Anonymous said...

Os poemas "no bar" e o outro sobre as mulheres me remetem ao estilo do autor no seu livro recém publicado, naquilo que contêm de "aforístico" ou conceitual: delimitam um assunto e o esgotam em poucas linhas, não raro com um toque filosófico. Esses traços não me passaram despercebidos na maioria dos poemas do livro referido, um caráter de "pequenos textos focados num assunto particular, fechados sobre si mesmos com um arremate geralmente filosófico/metafísico e sempre líricos." Um lirismo sabiamente extraído - não se sabe como, isso pertence aos mistérios da gênese poética - de coisas e fatos aparentemente simples do dia-a-dia mas que, depois de transfigurados pela poesia, vamos ver que podem conter muita profundeza e riqueza poética (um bêbado na rua com o traseiro à mostra, uma árvore no caminho, passos na escuridão, etc).