April 26, 2007

Oi eu aqui traveiz

É... pois é.... é isso aí... às vezes a gente se cala. O silêncio é o pai de todas as criações. Há momentos em que é preciso se calar, se recolher em um silêncio meditativo. E como os cometas que ficam na cinturão de Órion esperando o impulso de um corpo celeste maior para iniciar sua jornada atrvés do Sistema Solar, a gente também de vez em quando tem de se recolher, esperar o momento certo para dizer alguma coisa.
Não que hoje especialmente tenha algo a dizer, só que bateu aquela vontade de escrever, dizer alguma coisa legal. Uma vontade que acabou furando a bolha do silêncio e do cansaço. Sim, do cansaço, porque o desânimo que muitas vezes se abate sobre nós não provém apenas do desencanto com esse mundo desencantado, mas do cansaço também. Cansaço físico e mental que vem do trabalho e da rotina.
Trabalhamos demais!
Chega ser quase um despropósito o que damos de nós para esse senhor eternamente insatisfeito chamado trabalho. É a nossa energia, é a nossa inspiração, nossa alegria ou tristeza - ele não se importa - contanto que estejamos lá a trabalhar - formigas laboriosas - tanto faz estejamos tristes ou não. Tenhamos tesão ou não pelo que fazemos ele sempre acaba por nos vencer, pois, por mais que fizermos sempre haverá um amanhã, outro tanto mais para fazer.
Acho que estou entrando naquela fase de acomodação no meu trabalho no Tribunal. Aquela fase em que o deslumbre com um atividade nova começa a dar lugar a uma evidência: no fim é tudo a mesma merda! Trabalho e mais trabalho.
Tá certo que o que faço hoje é mil vezes mais significativo do que eu fazia antes, mas o labor, a pedra a ser empurrada morro acima é a mesma. E é a mesma decepção vê-la rolar morro abaixo, pois tudo acaba se reduzindo à indiferenciação.
O que nós fazemos tem muito pouco impacto sobre o mundo, sobre o rumo das coisas. Já bem sabia disso Jesus ao dizer que em vão se agita o homem, pois por mais que ele faça não acrescentará um côvado a sua estatura. E isso nunca foi tão verdade como agora, pois numa sociedade de massa como a em que vivemos nesse dias, não basta você ser bom naquilo que faz, se quer se destacar você tem que ser tocado pelo destino. Pois bons há aos milhares. Há um mundo aos nossos calcanhares rilhando os dentes para nos superar.
Escreveste uma coisa bela? Há um trilhão que já o fizeram também ou, pior, acham que já fizeram.
Tens uma boa idéa? Quinhentos dirão que já a tiveram antes.
Não, não dá!
Por isso, às vezes é melhor se calar, pois só quando calamos é que temos a chance de suscitar a curiosidade pelo que temos a dizer. Enquanto não dito, fica tudo na plano das possibilidades e, até aí, a vaidade alheia não pode ir. Ela precisa esperar que a coisa se materialize para poder criticar. Antes, não.
Então, às vezes, é bom também brincar com ela - com essa vaidade, a super-exposição, a ansiedade de todos pelo novo. Guardar-se como um jovem cometa no cinturão de Órion, esperando a oportunidade de partir nessa grande aventura do existir. Pois até então ninguém sabe da sua existência. Por isso quando chegar a sua vez, ele terá de fazer bonito. A sua coma terá de ser flamejante, sua rota certeira e sua vida, ainda que um risco no céu, deixar a impressão que nunca existiu outro igual.
Um abraço

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