September 02, 2007

Olá

Depois de ler o Galera - Daniel Galera, em seu primeiro livro, Dentes Guardados, de contos - ando meio assombrado com a prosa.
Fazia tempo que ninguém me assombrava desse jeito, sobretudo um autor vivo. Autor, aliás, que tive o privilégio de conhecer pessoalmente por ocasião da Jornada de Literatura. Não, porém, por causa da Jornada, mas por causa do show do Cachorro Grande. Aliás, estes, outros jovens que, igualmente ao Galera, dão-me esperança de que os babacas não irão dominar o mundo.
A prosa vigorosa do Galera nesse livro - que pode ser baixado via internet, basta digitar Daniel Galera no google - fez-me rever meus conceitos sobre prosa. Quando manejada por quem entende do ofício ela se torna dúctil como o barro na mão do escultor.
O que me leva, de novo, a desejar a poesia. Gênero em que, creio, tenho alguma chance.
Por conta disso e de duas garrafas de vinho, hoje, produzi, 3 novos poemas.
Vou publicá-los aqui.
Um de cada vez.
Veja o que "oceis" acham do primeiro.

CÃO SEM DONO

Teu poder de sedução
me faz rastejar
como um cão.
Lamber tua mão
sequioso do alimento
que podes dar.

É o que pensas
pelos dons
com que a natureza
te dotou.

Te enganas...
pois posso dizer
não.

Preservar
a independência
de cão
- sem dono -
que prefere comer do lixo
do que viver
nessa prisão
de beleza
e sedução.


Uma associação, talvez inconsciente, entre o segundo livro do Galera - Até o dia em que o cão morreu e o título do filme do Jorge Furtado baseado nesse livro, Cão sem Dono. Vai entender...

1 comment:

jvk said...

É mesmo? Tinha tanta gente naquele show que a gente se perdeu do Galera (é engraçado dizer, mas eramos a galera do Galera aquela noite). De qualquer forma, ligaram um ventilador nos camarotes que me deixou o fim de semana inteiro na cama. (Só não sei o que tudo isso tem a ver com a história)