March 28, 2007

Olá

Para provar que não sou uma voz isolada no universo, vou publicar nesse espaço um poema que uma amiga me mandou outro dia.
Como não tinha autoria declarada tive que consultá-la para me certificar que era a autora. Como ela é uma pessoa extremamente modesta para esses assuntos de literatura, a resposta me deu infundiu a certeza que de fato ela é a autora desse belo excerto de pensamento.
Não podia deixar isso passar em branco, por isso venho a público - embora devo admitir, até esse momento um público bastante reduzido - dizer: não sou mais uma voz que clama no deserto. Alguém ouviu e não só isso, começa a trazer a lume, também seus frutos. Quem sabe possamos um dia sentarmos juntos em uma grande roda de novos autores para comê-los juntos.
Um abraço SMI.
Poema:

Se a vida perde o brilho
alguma luz eu acendo
onde tem falha eu emendo
coloco o que posso no trilho
separo o que não presta
o que não serve para nada
e da penumbra que me resta
faço piada

March 16, 2007

Olá

Ora, dane-se as minhas precaucões. Escrevi ontem um poema belo demais para guardar só pra mim. Veja o que vocês acham:

ORAÇÃO DE UM INFARTADO

Agarro-me
do lado de cá
pois não sei
o que me espera
do lado de lá.

Por isso
se há algo
que me prenda aqui
prefiro adiar
partir.
Até que seja inevitável.

Depois
seja o que Deus quiser
- se Ele houver.

Olá

Ora, dane-se as minhas precaucões. Escrevi ontem um poema belo demais para guardar só pra mim. Veja o que vocês acham:

ORAÇÃO DE UM INFARTADO

Agarro-me
do lado de cá
pois não sei
o que me espera
do lado de lá.

Por isso
se há algo
que me prenda aqui
prefiro adiar
partir.
Até que seja inevitável.

Depois
seja o que Deus quiser
- se Ele houver.

March 15, 2007

Olá!

Estou preocupado com a possibilidade de ser plagiado. A medida em que minha publicações nesse espaço comecam a ganhar volume a possiblidade da cópia se expande. Por isso, devo restringir, nos próximos dias, a publicação de poesias aqui.
Vou continuar, contudo, publicando meus comentários e pensamentos sobre os assuntos mais diversos. Quem sabe alguns fragmentos dos meus novos poemas.
Tenho já um volume significativo de poemas escritos e pretendo logo lançar um segundo livro. Estou, no entanto, procurando alguém que me financie, pois o custo de uma publicação é alto para a gente estar a todo ano lançando um livro novo.
Infelizmente a poesia em nosso país é pouco lida. O que contribui para que seus autores exercitem essa arte no puro desprendimento. Isso também não é bom, pois o gênero não evolui muito dessa maneira. As criações ficam mais no plano dos depoimentos pessoais. Não se profissionalizam.
O que falta em nosso meio são agentes de cultura. Pessoas que promovam os autores, os tirem do anominato, aproximem-nos do público e viabilizem suas publicações, seja com recursos próprios, seja através do financimento de empresas, orgão governamentais, etc.
Ao contrário do que se pensa, há um público leitor e gente que compra livro. Claro que não é na proporção que seria o ideal, mas existe. O que precisa é que os autores seja estimulados a melhorarem o nível das suas publicações. E isso quando se trata de poesia então é uma questão de sobrevivência.
É isso.

March 12, 2007

olá

Tenho um fã, e com um fã a gente tem que ter a responsabilidade de quem trata com o carinho dos outros pela gente.
Mas mais do que isso, um fã é motivo de a gente ver que vale a pena continuar. A vida pode ser dura, o pão pouco e o sol quente, mas a gente não tem que desistir. Vale a pena a gente investir em nossos sonhos. E quando estes sonhos são uma causa - a minha, a da literatura, do conhecimento, da cultura - mais nobre ainda é a nossa devoção. Insistir nela, quase um sacerdócio.
Mas enfim, como há muito tempo, tenho que dar este testemunho aqui, eu e meu amigo Paulo viemos nos amparando ombro a ombro, verdadeiramente, quase como dois náufragos, na causa da cultura em nossa cidade, Passo Fundo. Das nossas conversas inúteis - como querem fazer crer nossas mulheres - temos extraído forças para continuar acreditando na literatura e nas coisas belas da vida.
Agora então que criei este blog quem é que está lá a me incentivar, me dar aquele indispensável feedback sem o qual artista nenhum sobrevive - embora nessa questão eu e o Paulo certamente haveremos de discordar? Quem, quem, quem?
O velho - não tão velho assim, temos de ressaltar - e incansável Paulo!
Um abraço, meu amigo!
É só por tua amizade e incentivo que apenas por mais esse dia, só mais esse dia - como dizem os alcólicos abstêmios - sobrevivi como poeta.
Só não vou publicar hoje um novo poema, pois estou podre de pressa.
Um abraço.

March 05, 2007

I´m back!

Meu bom e velho amigo Paulo, eu não podia esperar menos de ti! Agradeço ao teu comentário que chegou para mim como uma gota no deserto. Serve-me de alento para continuar, embora de qualquer maneira eu continuaria. Pois, ainda que de vez em quando bate um desânimo, me considerado daquela raça da qual Rilke, num esforço para definir o verdadeiro amante da literatura, o definiu como aquele que morreria se não pudesse escrever.
No entanto é sempre bom saber que alguém nos escuta ou vê.
Quem sabe a gente não transforma esse espaço num fórum de debate literário. Já que temos um vida tão atribulada que quase não nos sobra tempo para conversar, façamos isso através dessa canal. Já é alguma coisa.
Quero ver também o senhor publicando as suas poesias que, sei, são de qualidade. Não é por nada, só que a publicação, seja ela como for, é um baita estímulo para a gente seguir produzindo. Mas é claro que antes de tudo o autor tem que gostar das suas produções e estar seguro o suficiente de que elas já não lhes pertencem mais, mas à Humanidade. Antes disso, é perigoso. Se conseguires atingir esse nível, publicar se tornará um detalhe ou antes, um obrigação, já que a obra não nos pertence mais. Para um autor, este é o verdadeiro Paraíso, embora haja ainda muito chão pela frente.
Para ilustrar o que estou lhe dizendo, dá uma olhada no poema abaixo. Depois tu me fala o que achaste.
Um abraço
J.

MEUS FILHOS

Meus filhos, os poemas
andam por aí
circulando de mão em mão.
De vez em quando
recebo notícias de um
que está fazendo sucesso
outras
que não.
Mas os filhos
depois que a gente os dá à luz
já não nos pertencem mais.
Eles andam por aí
com vida própria
pelas próprias pernas
e mãos.

Mas ainda acredito
que um dia
um desses filhos
há de me dar
uma grande alegria
realização.

Vai ganhar o mundo
e junto
me fazê-lo ganhar também
como seu pai
seu criador.

Creio apenas
pois esse dia
ainda não chegou.

Pois os filhos
longe de nós
são capazes de coisas extraordinárias
que só os pais acreditam que o são
embora o mundo
não.

Eles precisam o provar.

Para isso
caminhar
com as próprias pernas
é a condição
sem a qual

não.

Essa é uma verdade
que uma hora ou outra
teremos de enfrentar
sejamos nela bem sucedido ou
não.