March 05, 2007

I´m back!

Meu bom e velho amigo Paulo, eu não podia esperar menos de ti! Agradeço ao teu comentário que chegou para mim como uma gota no deserto. Serve-me de alento para continuar, embora de qualquer maneira eu continuaria. Pois, ainda que de vez em quando bate um desânimo, me considerado daquela raça da qual Rilke, num esforço para definir o verdadeiro amante da literatura, o definiu como aquele que morreria se não pudesse escrever.
No entanto é sempre bom saber que alguém nos escuta ou vê.
Quem sabe a gente não transforma esse espaço num fórum de debate literário. Já que temos um vida tão atribulada que quase não nos sobra tempo para conversar, façamos isso através dessa canal. Já é alguma coisa.
Quero ver também o senhor publicando as suas poesias que, sei, são de qualidade. Não é por nada, só que a publicação, seja ela como for, é um baita estímulo para a gente seguir produzindo. Mas é claro que antes de tudo o autor tem que gostar das suas produções e estar seguro o suficiente de que elas já não lhes pertencem mais, mas à Humanidade. Antes disso, é perigoso. Se conseguires atingir esse nível, publicar se tornará um detalhe ou antes, um obrigação, já que a obra não nos pertence mais. Para um autor, este é o verdadeiro Paraíso, embora haja ainda muito chão pela frente.
Para ilustrar o que estou lhe dizendo, dá uma olhada no poema abaixo. Depois tu me fala o que achaste.
Um abraço
J.

MEUS FILHOS

Meus filhos, os poemas
andam por aí
circulando de mão em mão.
De vez em quando
recebo notícias de um
que está fazendo sucesso
outras
que não.
Mas os filhos
depois que a gente os dá à luz
já não nos pertencem mais.
Eles andam por aí
com vida própria
pelas próprias pernas
e mãos.

Mas ainda acredito
que um dia
um desses filhos
há de me dar
uma grande alegria
realização.

Vai ganhar o mundo
e junto
me fazê-lo ganhar também
como seu pai
seu criador.

Creio apenas
pois esse dia
ainda não chegou.

Pois os filhos
longe de nós
são capazes de coisas extraordinárias
que só os pais acreditam que o são
embora o mundo
não.

Eles precisam o provar.

Para isso
caminhar
com as próprias pernas
é a condição
sem a qual

não.

Essa é uma verdade
que uma hora ou outra
teremos de enfrentar
sejamos nela bem sucedido ou
não.

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