De vez em quando nos ocorrem idéias cujas sutilezas envolvem um esforço de concentração e realização acima do normal. Nem sempre somos bem sucedidos. Em casos assim o gosto amargo que nos fica na boca nos incita constantemente à retomada do assunto. É isso o que considero a obsessão do criador. É preciso, inclusive, ter o cuidado para não enlouquecer por conta disso.
Acontece, comigo, contantamente me deparar com essa situação. A inspiração às vezes nos escapa durante a realização. Deixamos de dizer aquilo precisamente que queríamos ter dito. Retomar o assunto, então, se torna inevitável. Para autores inciantes, contudo, isso não deixa de ser um excelente exercício. É preciso, no entanto, enfrentar com brio essa empreitada. Afinal, às vezes, se é vencido por ela. Não é à toa que se diz ser este um desafio. Quer dizer: o risco de fracassar é real.
É isto que aconteceu comigo, há alguns tempos atrás, quando escrevi a crônica - ou pequeno conto, como o queiram - Medo na Praça. Senti que a idéia que a deu origem era mais forte que o produto final. Era preciso a retomar.
Enchi-me de energia e coragem e, enfim, a retomei. Espero ter sido bem sucedido. Digam vocês.
De tudo, ainda, restou-me um lição: o escritor deve sempre evitar a tentação de fazer pregação. Literatura não tem nada a ver com isso. Criar pode ter um fundo moral. Mas isso, de maneira nenhuma, deve ficar evidente. A polissemia é resultado maior dessa disciplina. Feliz o autor que a alcança.
Republico, pois, aqui o resultado desse intento. Vocês podem inclusive comparar os resultados de um texto e outro, pois meses atrás publiquei aqui, neste mesmo espaço a primeira versão dessa idéia.
Ao julgamento de vocês, meus eventuais e fiéis leitores, me submeto. Afinal, há um momento em que é preciso confessar, em relação a essa idéia: é o que podia ter feito!
MEDO NA PRAÇA
Entrei na praça que àquela hora já se encontrava às escuras. Normalmente evito lugares assim. Precaução que me rendeu, em 40 anos de existência, nunca ter sido assaltado. Mas, naquele fim de tarde, me distrai e entrei na praça quando a noite já havia caído. Quando me dei conta, já era tarde.
Agora que terminou o verão as noites caem rapidamente e depois que o horário de verão acaba escurece ainda mais cedo. A gente nem tem tempo de se acostumar aos ritmos da natureza e já está tudo mudado. No horário em que apenas um mês antes se sai do trabalho com o sol ainda alto, agora se depara com a noite se aproximando. É normal que nos confundamos antes de adaptar o caminho à nova estação.
Quando é verão a praça, a essa hora, ainda está cheia. Escolho passar por aqui porque é agradável ver as pessoas. Agora, contudo, já seria a época de andar pelas ruas mais iluminadas.
Como já tinha entrado na praça, no entanto, não quis voltar atrás, afinal olhando adiante não havia nenhuma ameaça aparente. Porém, à medida que fui andando pelo caminho que a atravessa de uma ponta a outra, em sentido transversal, comecei a ficar preocupado. Troncos volumosos de arvores, sombras sob copas fechadas, moitas escuras bem podiam ser o esconderijo onde se homiziava meu executor.
Tenho por hábito andar com cautela na cidade. O que inclui a salutar providência de não deixar ninguém suspeito se aproximar. Atravesso a rua, retardo ou apresso o passo, olho com freqüência para trás. Tudo na intenção de manter uma distância que me permita correr se for preciso. Como eu disse, essas providências têm me permitido chegar aos 40 anos sem nunca ter sido assaltado. Aquela noite, contudo, parecia ser diferente.
Havia pouco movimento na praça. Apenas a silhueta de um casal de namorados contra as luzes distantes da rua, à direita do caminho, sob a sombra das árvores, distraídos demais consigo mesmos para prestar a atenção em qualquer coisa que acontecesse à sua volta; uma senhora de agasalho, na outra via que também cortava a praça, em sentido perpendicular ao meu e, mais atrás, um homem, distraído como eu, voltava para casa.
Enfim quase ninguém que pudesse me socorrer em um eventual ataque.
Ali, também, percebi, que não tinha como pôr em prática meu hábito de manter distância de suspeitos. O caminho passava por baixo de copas de árvores fechadas e apenas a poucos passos de moitas e troncos. Um salto e o bandido estaria sobre mim. Inobstante isso, procurava antecipar algum movimento estranho.
Consultei mentalmente o que trazia nos bolsos, antecipando o prejuízo. Minha carteira e as chaves de casa. Na cinta, o celular. O celular na certa seria o primeiro objeto requisitado e a carteira em seguida. Nela, apenas uns 30 reais. Lamentei não ter mais. O ladrão certamente não ficaria satisfeito.
Pensei nos aborrecimentos que teria para cancelar os cartões, tirar a segunda via dos documentos. Será que ele me permitiria argumentar que aqueles documentos não teriam valor algum para ele?
Não tinha certeza se isso seria uma boa idéia.
Provavelmente ele estaria nervoso demais para me escutar. Quem sabe drogado. E falar poderia deixá-lo mais nervoso, ou ele entenderia isso como excesso de confiança de minha parte. Me daria um tiro, ou uma facada, só para mostrar quem mandava ali. Se eu fosse ele, faria isso. Afinal, numa situação destas é preciso mostrar quem está no controle.
No entanto - só então me dei conta - já tinha atravessado a praça e nada havia acontecido. Para minha surpresa. Afinal estava preparado para o pior.
Por isso não podia negar: estava desapontado.
Estranho. Pois de maneira nenhuma desejava o ataque.
Mas havia me preparado. Estava pronto para isso.
No entanto...nada!
Teriam sido em vãos meus cuidados de todos esses anos?
Aquilo me deixava confuso. E despreparado - intuía. Pior do que se o ataque tivesse se confirmado.
Minhas previsões frustradas, dali para frente, podiam ser o gérmen do meu fim.
Sabia disso. Mas não podia evitar. A realidade não havia contribuído comigo. Teria de, agora em diante, botá-la à prova.
August 26, 2007
August 21, 2007
relato de viagem - continuação
Conseguimos ainda chegar a tempo de ouvir sua primeira palestra, sob uma estrutura de madeira, em forma de círculo, diante dos renques das videiras com que a empresa trabalha. Para minha satisfação, entre elas, divisei a variedade Gamay, cujo vinho atualmente é meu preferido. (Falo atualmente porque nossos gostos mudam, assim como nossos recursos, afinal conhecemos o que a experiência nos permite e esta é condicionada por aqueles. O que significa dizer, para o mundo do vinho, que essa experiência pode ser ilimitada.)
Em seguida adentramos o interior da fábrica que, confesso, superou todas as minhas expectativas. Ambiente de primeiro mundo, padrão de qualidade incosteste! Uma grata satisfação para quem, como eu, me considero um aprendiz na arte de apreciar um bom vinho.
Ao fim desse passeio, a degustação. Foi quando me dei conta de ter feito a melhor escolha ao ter adquirido o bônus Bronze, pois os vinhos que foram oferecidos para degustação, correspondiam à categoria do bônus adquirido. Naturalmente o bônus Bronze era adequado a inciantes e com poderes de consumo mais modestos, como era o meu caso.
De todos os vinhos servidos, senti-me particularmente seduzido por um. Justamente da variedade Shiraz, contra a qual, alías, havia formado uma opinião desfavorável em outra ocasião. Opinião esta fundada, agora podia perceber, em um falso julgamento oriundo de uma aquisição infeliz que havia feito em Passo Fundo de um lote dessa varidade. Naquela oportunidade tive uma péssima impressão desse vinho. Que surpresa, então, descobrir agora nesse mesmo vinho o melhor entre todos servidos!
Como sou um homem aberto a novos conceitos, não tive dúvidas em admitir: aquele lote adquirido em Passo Fundo certamente estaria estragado! Um lote de rolhas, quiçá, ou um grau alcóolico insuficiente par guardar um vinho por mais tempo. Não sei. O fato é que agora, diante dessa nova evidência, já havia tomado uma decisão: levaria o vinho daquela variedade!
Encerramos o passeio com um céu nublado, de um entardecer prematuro e frio. O que me fazia lembrar que não tínhamos ainda um lugar para ficar.
Saímos do Vale e fomos à cidade para nos hospedar.
Ficamos num hotel no centro: Vinocap. R$ 130,00 a diária para eu e as duas crianças. Um hotel de péssima qualidade pelo preço cobrado. Mas para quem estava cansado e com duas crianças para abrigar, um ótimo refúgio.
Jantamos e fomos dormir.
No dia seguinte, fizemos novamente as malas rumo a Gramado. Antes, porém queria conhecer o Caminho de Pedras, já que as crianças haviam refugado o passeio de Maria Fumaça que há ali, entre Bento Gonçalves e Carlos Barbosa. Um passeio que se realiza à tarde e para o qual é preciso reservar 4 horas do seu dia. O que representava para nós passar mais uma noite em Bento. Como tínhamos confirmado naquela manhã a reserva em Gramado para esse mesmo dia, corríamos o risco de perdê-la por conta desse atraso. Nesse ponto, as crianças foram mais sensatas do que eu. Do meu lado, devo confessar, suspirei aliviado que elas tivesse preferido partir. O passeio custava R$ 55,00 reais por pessoa, o que, no meu caso, representava um desembolso nada desprezível de R$ 165,00, sem contar outras despesas menores que, certamente, seriam realizadas no local.
Antes, contudo, de nos despedirmos de Bento, queria conhecer esse Caminho de Pedras, do qual ouvira falar ainda em Passo Fundo. Passe esse que se constitui mais uma atração turística da cidade.
Trata-se de um caminho pela colônia de Bento, pontuado por diversas atrações.
Achado o local, contudo, tinha agora que descobrir a chave para esse outro mundo de encantamentos. Decidimos parar diante de uma casa em estilo típico da região, por conta de um ônibus de turistas que se encontrava ali. Intuí, corretamente, que por conta desse detalhe a parada devia valer a pena. Não me enganei! O lugar era muito acolhedor e, para começar, logo na entrada, batemos uma foto da Júlia - minha filha de 12 anos - segurando no colo uma ovelhinha. Depois fomos até o potreiro nos fundos da casa, em suave aclive em relação à rua, ver as ovelhas no pasto. Mais uma oportunidade de bater algumas fotos já que o dia estava frio e a atmosfera limpa. Condições estas perfeitas para fotos externas. Voltamos para a casa, no térro da qual havia diversos produtos de ovelha em exposição. Tudo, porém, muito caro. Quase não adquirimos nada. Apenas dois iogurtes produzidos no local, com o leite das ovelhas da raça lacony como aprendemos num vídeo de 8 minutos que assistemos no pavimento superior da casa. Casa que, não por acaso, se chama Casa da Ovelha.
Seguimos adiante até chegarmos em outro lugar onde um novo aglomerado de pessoas fez-me crer que valia a pena mais uma parada.
Tratava-se de uma pequena ervateira artesanal, cujos soques de ervas ainda são movimentados por uma roda d´água existente na entrada. Conhecemos o processo de secagem da erva e o barbaquá, espécie de forno enterrado utilizado nessa finalidade. Do outro lado da rua, fizemos a prova do mate com a erva produzida ali e conhecemos outros produtos do artesanato local dispostos à venda.
Aquela lugar era o último atrativo do Caminho. Com certeza outros havia, pelos quais talvez passáramos sem nos dar conta. Mas a hora já ia adiantada e convinha partir, pois tencionava almoçar na estrada e não sabia o quanto teria que andar para achar um lugar que prestasse para tanto.
Continua...
Em seguida adentramos o interior da fábrica que, confesso, superou todas as minhas expectativas. Ambiente de primeiro mundo, padrão de qualidade incosteste! Uma grata satisfação para quem, como eu, me considero um aprendiz na arte de apreciar um bom vinho.
Ao fim desse passeio, a degustação. Foi quando me dei conta de ter feito a melhor escolha ao ter adquirido o bônus Bronze, pois os vinhos que foram oferecidos para degustação, correspondiam à categoria do bônus adquirido. Naturalmente o bônus Bronze era adequado a inciantes e com poderes de consumo mais modestos, como era o meu caso.
De todos os vinhos servidos, senti-me particularmente seduzido por um. Justamente da variedade Shiraz, contra a qual, alías, havia formado uma opinião desfavorável em outra ocasião. Opinião esta fundada, agora podia perceber, em um falso julgamento oriundo de uma aquisição infeliz que havia feito em Passo Fundo de um lote dessa varidade. Naquela oportunidade tive uma péssima impressão desse vinho. Que surpresa, então, descobrir agora nesse mesmo vinho o melhor entre todos servidos!
Como sou um homem aberto a novos conceitos, não tive dúvidas em admitir: aquele lote adquirido em Passo Fundo certamente estaria estragado! Um lote de rolhas, quiçá, ou um grau alcóolico insuficiente par guardar um vinho por mais tempo. Não sei. O fato é que agora, diante dessa nova evidência, já havia tomado uma decisão: levaria o vinho daquela variedade!
Encerramos o passeio com um céu nublado, de um entardecer prematuro e frio. O que me fazia lembrar que não tínhamos ainda um lugar para ficar.
Saímos do Vale e fomos à cidade para nos hospedar.
Ficamos num hotel no centro: Vinocap. R$ 130,00 a diária para eu e as duas crianças. Um hotel de péssima qualidade pelo preço cobrado. Mas para quem estava cansado e com duas crianças para abrigar, um ótimo refúgio.
Jantamos e fomos dormir.
No dia seguinte, fizemos novamente as malas rumo a Gramado. Antes, porém queria conhecer o Caminho de Pedras, já que as crianças haviam refugado o passeio de Maria Fumaça que há ali, entre Bento Gonçalves e Carlos Barbosa. Um passeio que se realiza à tarde e para o qual é preciso reservar 4 horas do seu dia. O que representava para nós passar mais uma noite em Bento. Como tínhamos confirmado naquela manhã a reserva em Gramado para esse mesmo dia, corríamos o risco de perdê-la por conta desse atraso. Nesse ponto, as crianças foram mais sensatas do que eu. Do meu lado, devo confessar, suspirei aliviado que elas tivesse preferido partir. O passeio custava R$ 55,00 reais por pessoa, o que, no meu caso, representava um desembolso nada desprezível de R$ 165,00, sem contar outras despesas menores que, certamente, seriam realizadas no local.
Antes, contudo, de nos despedirmos de Bento, queria conhecer esse Caminho de Pedras, do qual ouvira falar ainda em Passo Fundo. Passe esse que se constitui mais uma atração turística da cidade.
Trata-se de um caminho pela colônia de Bento, pontuado por diversas atrações.
Achado o local, contudo, tinha agora que descobrir a chave para esse outro mundo de encantamentos. Decidimos parar diante de uma casa em estilo típico da região, por conta de um ônibus de turistas que se encontrava ali. Intuí, corretamente, que por conta desse detalhe a parada devia valer a pena. Não me enganei! O lugar era muito acolhedor e, para começar, logo na entrada, batemos uma foto da Júlia - minha filha de 12 anos - segurando no colo uma ovelhinha. Depois fomos até o potreiro nos fundos da casa, em suave aclive em relação à rua, ver as ovelhas no pasto. Mais uma oportunidade de bater algumas fotos já que o dia estava frio e a atmosfera limpa. Condições estas perfeitas para fotos externas. Voltamos para a casa, no térro da qual havia diversos produtos de ovelha em exposição. Tudo, porém, muito caro. Quase não adquirimos nada. Apenas dois iogurtes produzidos no local, com o leite das ovelhas da raça lacony como aprendemos num vídeo de 8 minutos que assistemos no pavimento superior da casa. Casa que, não por acaso, se chama Casa da Ovelha.
Seguimos adiante até chegarmos em outro lugar onde um novo aglomerado de pessoas fez-me crer que valia a pena mais uma parada.
Tratava-se de uma pequena ervateira artesanal, cujos soques de ervas ainda são movimentados por uma roda d´água existente na entrada. Conhecemos o processo de secagem da erva e o barbaquá, espécie de forno enterrado utilizado nessa finalidade. Do outro lado da rua, fizemos a prova do mate com a erva produzida ali e conhecemos outros produtos do artesanato local dispostos à venda.
Aquela lugar era o último atrativo do Caminho. Com certeza outros havia, pelos quais talvez passáramos sem nos dar conta. Mas a hora já ia adiantada e convinha partir, pois tencionava almoçar na estrada e não sabia o quanto teria que andar para achar um lugar que prestasse para tanto.
Continua...
August 16, 2007
Crônica
Quebrando um pouquinho a sequência da minha narrativa de viagem que venho fazendo aqui, vou brindá-los com uma recente produção que muito me empolgou, porque acho que consegui pegar o anjo por uma perna, digo, a idéia inspiradora, e fixá-la nessa crônica - que inicialmente pensei tratar-se de um conto, mas que depois, analisando melhor vi tratar-se desse outro gênero - sobre um acontecimento real que presenciei há algum tempo.
Poderia ser um poema. Optei pela prosa.
Vejam o que vocës acham, se fui feliz.
Um abraço.
A MORTE DO PINHEIRO
Cuidadosamente planejada, a morte do pinheiro foi um plano arquitetado para não levantar suspeitas nas autoridades responsáveis pela fiscalização. O terreno não era grande e o jovem e infeliz pinheiro havia nascido bem no meio, justamente onde os novos donos do lugar pretendiam levantar a casa.
Como se sabe o pinheiro da família das araucárias é uma árvore nativa do Sul do Brasil e como tal, protegida por lei. Não seria nada fácil, para não dizer impossível, obter a licença para a sua derrubada. Pelo menos era o que o havia dito o engenheiro. O projeto não podia ser executado com o pinheiro ali.
Deram um jeito nele.
Suspeito que usaram daquela abominável técnica de furar o caule da planta e pôr ali óleo queimado ou secante para envenená-la. Depois de morta seria mais fácil obter a licença para seu corte.
O pinheiro é uma árvore rústica e resistente. Por isso estranhei quando vi as suas folhas – que se chamam grimpas – secarem. De imediato pensei no pior. O terreno havia sido limpo. Só ele havia sobrado. Os novos moradores queriam construir. Ele atrapalhava seus planos. Para ligar uma coisa a outra não foi difícil.
Como morava na redondeza e costumava passar por ali com os cachorros que levava para passear, pude acompanhar a lenta decadência daquele belo exemplar das araucárias, jovem e vigoroso.
Não saberia precisar sua idade. Tinha uns 8 metros de altura e um caule que na base devia medir uns 40 centímetros. Teria furos ali? O cercado em volta do terreno e uma capoeira alta o suficiente para esconder uma jararaca me impediam de ver se as minhas suspeitas eram verdadeiras. Talvez se eu tivesse visto pudesse ter evitado aquele crime. Agora, porém, era tarde.
Poucos meses depois acabei me mudando dali. Ele já estava seco o suficiente para ser derrubado. O fim estava próximo. Contudo, não havia ainda sinais de que a construção iria sair, o que me dava alguma esperança. Quem sabe não seria tudo conjecturas da minha cabeça? O ser humano não seria tão maquiavélico assim, para se bater silenciosa e covardemente durante meses com um árvore para, só depois que o fato estivesse consumado, pô-la abaixo. Quem sabe o pinheiro havia morrido de alguma doença desconhecida e eu imaginava coisas?
Mas eu me enganava.
Percebi isso quando as valas da construção começaram a ser abertas, e elas incluíam o lugar onde até então o pinheiro sempre estivera – naquela altura já derrubado.
Inobstante isso, ainda resisti à idéia de que desde o começo tudo fora mesmo pensado. Resistência que caiu à vista da primeira parede levantada onde antes se erguia o elegante caule.
Que decepção, nessa cidade murada, enxergar mais uma parede onde antes se via algo tão gracioso! Algo que nos evoca as nossas raízes, a nossa infância, a região em que fomos criados e onde acostumamos a vista à sua presença em meio a mata, pontuando-a com o seu porte esguio e sobranceiro ou no campo, quebrando a monotonia da paisagem. Que falta de imaginação! Com tantas soluções que a engenharia moderna oferece era difícil acreditar que aquele terreno não podia ser dividido com a planta, que para todos os efeitos, já estava ali. Mas onde esperar o reconhecimento de direitos de um vegetal que não tem boca para reclamar e mãos para se defender?
A partir daquele dia senti que, por mais bela que fosse a casa que seria construída ali, não conseguiria a admirar. Pois cada vez que passava pelo local e a olhava, o que eu via nela não era sua beleza, mas o fantasma do pinheiro que houvera ali e que por causa dela teve de ser derrubado.
Poderia ser um poema. Optei pela prosa.
Vejam o que vocës acham, se fui feliz.
Um abraço.
A MORTE DO PINHEIRO
Cuidadosamente planejada, a morte do pinheiro foi um plano arquitetado para não levantar suspeitas nas autoridades responsáveis pela fiscalização. O terreno não era grande e o jovem e infeliz pinheiro havia nascido bem no meio, justamente onde os novos donos do lugar pretendiam levantar a casa.
Como se sabe o pinheiro da família das araucárias é uma árvore nativa do Sul do Brasil e como tal, protegida por lei. Não seria nada fácil, para não dizer impossível, obter a licença para a sua derrubada. Pelo menos era o que o havia dito o engenheiro. O projeto não podia ser executado com o pinheiro ali.
Deram um jeito nele.
Suspeito que usaram daquela abominável técnica de furar o caule da planta e pôr ali óleo queimado ou secante para envenená-la. Depois de morta seria mais fácil obter a licença para seu corte.
O pinheiro é uma árvore rústica e resistente. Por isso estranhei quando vi as suas folhas – que se chamam grimpas – secarem. De imediato pensei no pior. O terreno havia sido limpo. Só ele havia sobrado. Os novos moradores queriam construir. Ele atrapalhava seus planos. Para ligar uma coisa a outra não foi difícil.
Como morava na redondeza e costumava passar por ali com os cachorros que levava para passear, pude acompanhar a lenta decadência daquele belo exemplar das araucárias, jovem e vigoroso.
Não saberia precisar sua idade. Tinha uns 8 metros de altura e um caule que na base devia medir uns 40 centímetros. Teria furos ali? O cercado em volta do terreno e uma capoeira alta o suficiente para esconder uma jararaca me impediam de ver se as minhas suspeitas eram verdadeiras. Talvez se eu tivesse visto pudesse ter evitado aquele crime. Agora, porém, era tarde.
Poucos meses depois acabei me mudando dali. Ele já estava seco o suficiente para ser derrubado. O fim estava próximo. Contudo, não havia ainda sinais de que a construção iria sair, o que me dava alguma esperança. Quem sabe não seria tudo conjecturas da minha cabeça? O ser humano não seria tão maquiavélico assim, para se bater silenciosa e covardemente durante meses com um árvore para, só depois que o fato estivesse consumado, pô-la abaixo. Quem sabe o pinheiro havia morrido de alguma doença desconhecida e eu imaginava coisas?
Mas eu me enganava.
Percebi isso quando as valas da construção começaram a ser abertas, e elas incluíam o lugar onde até então o pinheiro sempre estivera – naquela altura já derrubado.
Inobstante isso, ainda resisti à idéia de que desde o começo tudo fora mesmo pensado. Resistência que caiu à vista da primeira parede levantada onde antes se erguia o elegante caule.
Que decepção, nessa cidade murada, enxergar mais uma parede onde antes se via algo tão gracioso! Algo que nos evoca as nossas raízes, a nossa infância, a região em que fomos criados e onde acostumamos a vista à sua presença em meio a mata, pontuando-a com o seu porte esguio e sobranceiro ou no campo, quebrando a monotonia da paisagem. Que falta de imaginação! Com tantas soluções que a engenharia moderna oferece era difícil acreditar que aquele terreno não podia ser dividido com a planta, que para todos os efeitos, já estava ali. Mas onde esperar o reconhecimento de direitos de um vegetal que não tem boca para reclamar e mãos para se defender?
A partir daquele dia senti que, por mais bela que fosse a casa que seria construída ali, não conseguiria a admirar. Pois cada vez que passava pelo local e a olhava, o que eu via nela não era sua beleza, mas o fantasma do pinheiro que houvera ali e que por causa dela teve de ser derrubado.
August 14, 2007
relato de viagem - continuação...
Chegamos ali em pouco tempo, afinal de Veranópolis a Bento é um pulinho.
Baseando-me em um mapa que havia localizado na internet não tive dificuldade de encontrar o lugar. Logo estava na embocadura do Vale que se estende por um bela estrada asfalatada,em suave declive, do outro lado da Rodovia que passa em frente a Bento. Já na entrada deste Vale fui mais uma vez bafejado pela sorte ao parar em um Posto de Combustíveis para abastecer. Pedi a garota que me atendia referências sobre o local e esta me indicou um folheto para turistas que continha um mapa do lugar, com todos as vínicolas, pousadas e restaurantes interessantes para se visitar.
Confesso que de início não achei o lugar especial de qualquer maneira, eis que pontuado de parreirais adormecidos pelo frio do inverno, desprovidos de frutos e maiores encantos, com vinícolas aqui e ali, que, a princípio, não pareciam se oferecer de algum modo ao visitante, como havia lido na internet.
Fomos até o fim da rota, de acordo com o indicado no mapa e apenas ao final dela a vinícola Miolo - à esquerda - e outra, adiante, em forma de castelo, construído com pedras basalto - à direita - me chamaram a atenção. Tinha a intenção de primeiro dar uma geral por todo o Vale antes de me decidir o que fazer. Como o Vale é formado por duas vias de acesso, tencionava ir até o fim de uma delas para retornar pela outra. Para isso, contudo, tinha de repisar o mesmo trecho, até a altura da Miolo, para tomar a outra estrada, de modo que tinha que passar de novo pela vinícola em forma de castelo, por primeiro. Paramos ali para bater fotos já que a luz era favorável e de alguma forma precisávamos quebrar o gelo daquele passeio - o problema de fazer uma excursão solitária. Aproveitamos a oportunidade para conhecermos o local, no qual viemos a descobrir maravilhas: corredores em forma de calabouços, pipas enormes para a produção do vinho e um laboratório para análise do produto. Circulamos também pela loja no interior da construção, onde se comercializa vinho, consultando discretamente os preços praticados.
Fomos informado pela atendente que podíamos fazer um passeio acompanhado pelo local, com direito à degustação, ao módico preço de R$ 5,00. Valor este qua ainda podia ser convertido em bônus para aqusição de produtos no local. Informação esta que confirmava a que eu já havia obtido na internet.
Contudo, recusamos a oferta.
O lugar estava praticamente vazio e este tour seria feito só comigo - pois nesta viagem apenas meus dois filhos me acompanhavam. O que significa dizer que não havia no local outras pessoas para dividir comigo a atenção do meu eventual cicerone.
Mas aquilo já servira como um pequeno quebra-gelo para eu conhecer mais profundamente o lugar.
Inspirado por esta primeira proposta de visitação ao interior de uma vinícola, saimos dali com a convicção de fazer aquele passeio na empresa adiante, a qual eu supunha, teria mais movimento. Ou seja, na Vinícola Miola, a qual possui um amplo pátio onde se encontram diversas construções pintadas da cor da empresa - amarelo - destinados a produção e comercialização do vinho, assim como a recepção ao turista. Abrindo o lugar, um imponente pórtico com o nome da marca: Miolo.
Chegando ali, tomamos informação na portaria para confirmar se o entusiamso com que eu vinha da Vinícola anterior - Cave de Pedra - tinha correspondente na realidade. Ao que, a naturalidade com que o guarda me atendeu, indicando-me o prédio ao fundo para visitação, me provava que eu não estava enganado: era ali que começava a nossa aventura pelo mundo do vinho.
Galhardamente, fomos até lá, agora munido das palavras que me abririam as portas do lugar: bônus de visitação!
Havia de 3 categorias: Bronze, Prata e Ouro, correspodentes, respectivamente aos valores de R$ 5,00, R$ 10,00 e R$ 15,00. Modesto como sou - para as más linguas, pão-duro - fiquei com o Bronze. Decisão que depois se revelaria, não apenas a mais econômica, mas a mais acertada em todos os sentidos. Crianças não pagam, ainda me informou a atendente, pois este valor destinava-se, sobretudo, à degustação que é realizada ao final do passeio. Etapa que, naturalmente,as crianças não realizam. Tudo isso no exato instante em que um grupo já ia adiante, no pátio ensolarado, ciceroneado pela menina encarregada da apresentação da vinícola aos visitantes.
Continua na próxima...
Baseando-me em um mapa que havia localizado na internet não tive dificuldade de encontrar o lugar. Logo estava na embocadura do Vale que se estende por um bela estrada asfalatada,em suave declive, do outro lado da Rodovia que passa em frente a Bento. Já na entrada deste Vale fui mais uma vez bafejado pela sorte ao parar em um Posto de Combustíveis para abastecer. Pedi a garota que me atendia referências sobre o local e esta me indicou um folheto para turistas que continha um mapa do lugar, com todos as vínicolas, pousadas e restaurantes interessantes para se visitar.
Confesso que de início não achei o lugar especial de qualquer maneira, eis que pontuado de parreirais adormecidos pelo frio do inverno, desprovidos de frutos e maiores encantos, com vinícolas aqui e ali, que, a princípio, não pareciam se oferecer de algum modo ao visitante, como havia lido na internet.
Fomos até o fim da rota, de acordo com o indicado no mapa e apenas ao final dela a vinícola Miolo - à esquerda - e outra, adiante, em forma de castelo, construído com pedras basalto - à direita - me chamaram a atenção. Tinha a intenção de primeiro dar uma geral por todo o Vale antes de me decidir o que fazer. Como o Vale é formado por duas vias de acesso, tencionava ir até o fim de uma delas para retornar pela outra. Para isso, contudo, tinha de repisar o mesmo trecho, até a altura da Miolo, para tomar a outra estrada, de modo que tinha que passar de novo pela vinícola em forma de castelo, por primeiro. Paramos ali para bater fotos já que a luz era favorável e de alguma forma precisávamos quebrar o gelo daquele passeio - o problema de fazer uma excursão solitária. Aproveitamos a oportunidade para conhecermos o local, no qual viemos a descobrir maravilhas: corredores em forma de calabouços, pipas enormes para a produção do vinho e um laboratório para análise do produto. Circulamos também pela loja no interior da construção, onde se comercializa vinho, consultando discretamente os preços praticados.
Fomos informado pela atendente que podíamos fazer um passeio acompanhado pelo local, com direito à degustação, ao módico preço de R$ 5,00. Valor este qua ainda podia ser convertido em bônus para aqusição de produtos no local. Informação esta que confirmava a que eu já havia obtido na internet.
Contudo, recusamos a oferta.
O lugar estava praticamente vazio e este tour seria feito só comigo - pois nesta viagem apenas meus dois filhos me acompanhavam. O que significa dizer que não havia no local outras pessoas para dividir comigo a atenção do meu eventual cicerone.
Mas aquilo já servira como um pequeno quebra-gelo para eu conhecer mais profundamente o lugar.
Inspirado por esta primeira proposta de visitação ao interior de uma vinícola, saimos dali com a convicção de fazer aquele passeio na empresa adiante, a qual eu supunha, teria mais movimento. Ou seja, na Vinícola Miola, a qual possui um amplo pátio onde se encontram diversas construções pintadas da cor da empresa - amarelo - destinados a produção e comercialização do vinho, assim como a recepção ao turista. Abrindo o lugar, um imponente pórtico com o nome da marca: Miolo.
Chegando ali, tomamos informação na portaria para confirmar se o entusiamso com que eu vinha da Vinícola anterior - Cave de Pedra - tinha correspondente na realidade. Ao que, a naturalidade com que o guarda me atendeu, indicando-me o prédio ao fundo para visitação, me provava que eu não estava enganado: era ali que começava a nossa aventura pelo mundo do vinho.
Galhardamente, fomos até lá, agora munido das palavras que me abririam as portas do lugar: bônus de visitação!
Havia de 3 categorias: Bronze, Prata e Ouro, correspodentes, respectivamente aos valores de R$ 5,00, R$ 10,00 e R$ 15,00. Modesto como sou - para as más linguas, pão-duro - fiquei com o Bronze. Decisão que depois se revelaria, não apenas a mais econômica, mas a mais acertada em todos os sentidos. Crianças não pagam, ainda me informou a atendente, pois este valor destinava-se, sobretudo, à degustação que é realizada ao final do passeio. Etapa que, naturalmente,as crianças não realizam. Tudo isso no exato instante em que um grupo já ia adiante, no pátio ensolarado, ciceroneado pela menina encarregada da apresentação da vinícola aos visitantes.
Continua na próxima...
August 12, 2007
Relato de viagem
Conforme prometido, vou relatar, em partes, a viagem de férias que fiz à Serra Gaúcha, entre os dias 25 e 29 de julho.
Relatarei como venho escrevendo desde que de lá voltei. Em forma de diário.
29/07/2007
Voltei hoje de uma viagem de 5 dias à Serra Gaúcha. Viagem de férias, talvez uma das melhores que já tive. Embora de poucos dias, mas extremamente proveitosa para mim. Fiz o que há muito tempo queria fazer. Mais do que uma viagem de passeio, uma viagem de conhecimento e exploração.
Elaborei um roteiro - mental, é verdade, mas um roteiro - e segui uma programação que foi se ajustando de acordo com a realidade e as condições das minha finanças. Para se ter um idéia da "programação" de que estou falando, até a véspera de partir eu ainda não tinha certeza se iria. O dinheiro anda curto e como não recebi essas férias antecipadamente não me sentia muito à vontade para gastar por conta desse dinheiro que ainda não havia chegado. Moralmente, falando, por que na prática não havia problema algum. Usava apenas por alguns dias o cheque especial, o qual cubriria mais tarde, quando o dinheiro viesse. Em resumo, puro escrúpulo oriundo de uma educação voltada para a escassez, não para a abundância; para a renúncia, não para o prazer.
Ao fim, fiz algumas contas contas e vi que daria.
- Danem-se meus escrúpulos! - pensei. - Preciso sair!
Fui.
E tudo aconteceu de uma forma tão maravilhosa que só posso reputar obra de Deus me conceder esses dias de descanso.
Para começar, contudo, tive o mínimo cuidado de não sair de casa totalmente desprevinido. Teria que ao menos saber se encontraria na Serra lugar para ficar, pois até aquele momento não tinha reservado hotel e como as notícias eram de neve com certeza os hotéis estariam lotados por lá.
Entrei na internet e pesquisei: Gramado. Um sem número de hotéis ofereciam vagas, a preços os mais diversos. Cadastrei-me em 2 e no dia seguinte parti. Antes de sair, porém, dei uma olhadinha para ver se já tinha resposta de algum. Tive. De um apenas e negativa.
Não me deixei abater. Parti assim mesmo. No caminho confirmaria a reserva do outro, afinal eu não pretendia ir direto a Gramado. Pousaria em Bento Gonçalves e só no dia seguinte precisaria ter a confirmação da reserva para me dirigir até lá.
Meu roteiro começava por Veranópolis. Queria conhecer o restaurante giratório do qual vira uma reportagem na RBS TV. Fiquei encantado com aquela engenhoca a 30 metros de altura acionada por um motor em baixa rotação que faz com que o chão vá lentamente se movendo, permitindo que as pessoas possam almoçar apreciando uma paisagem em constante mutação. E tudo de uma forma lão lenta e segura que só com o decorrer de alguns minutos é possível notar que já não se está na mesma posição. Tanto que para o cliente desavisado é possível pregar uma peça. Se não o avisar de como o lugar funciona, ele só vai notar que algo está acontecendo após algum tempo, pois para fazer o giro completo o mecanismo leva 2 horas.
Saí de casa às 9 horas com a idéia de ao meio dia, talvez antes, estar ali para almoçar. Chegamos às 11 horas e um pouquinho afinal o lugar dista apenas 120 km de Passo Fundo. Andamos um pouco pela cidade e às 11:30 fomos para lá. Havia ainda poucas pessoas no ambiente. Fomos recebidos por um garçom atencioso que nos informou de imediato que a casa servia apenas 1 prato: galeto com massa. Sete tipos de massas ao custo de R$ 20,00 por pessoa. Ao que nos sentamos para sermos servidos, fascinado com o lugar. Comemos à larga e nos divertimos com a novidade. Bati fotos do interior do restaurante para demonstrar depois o seu deslocamento em relação ao local em que inicialmente havíamos sentado.
Senti estar realizando um pequeno sonho, pois quantas vezes não vemos coisas na TV ou ouvimos falar de lugares que gostaríamos de conhecer e deixamos a oportunidade passar. O que seria nesta viagem minha primeira descoberta: para realizarmos alguma coisa não podemos deixar a oportunidade passar, a chama se apagar. É preciso colher o fruto no momento em que ele amadurece. O verdadeiro sabor das coisas está aí, nesse primeiro momento em que a tensão está em alta e a sua realização vem como o raio que alveja a terra, descarregando a nuvem que cruza sobre ela.
Próxima parada do meu roteiro: Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. Esse Vale do qual ouvira um colega falar com admiração ao meu chefe e que despertou em mim a curiosidade de vir a conhecê-lo.
Continua na próxima...
Relatarei como venho escrevendo desde que de lá voltei. Em forma de diário.
29/07/2007
Voltei hoje de uma viagem de 5 dias à Serra Gaúcha. Viagem de férias, talvez uma das melhores que já tive. Embora de poucos dias, mas extremamente proveitosa para mim. Fiz o que há muito tempo queria fazer. Mais do que uma viagem de passeio, uma viagem de conhecimento e exploração.
Elaborei um roteiro - mental, é verdade, mas um roteiro - e segui uma programação que foi se ajustando de acordo com a realidade e as condições das minha finanças. Para se ter um idéia da "programação" de que estou falando, até a véspera de partir eu ainda não tinha certeza se iria. O dinheiro anda curto e como não recebi essas férias antecipadamente não me sentia muito à vontade para gastar por conta desse dinheiro que ainda não havia chegado. Moralmente, falando, por que na prática não havia problema algum. Usava apenas por alguns dias o cheque especial, o qual cubriria mais tarde, quando o dinheiro viesse. Em resumo, puro escrúpulo oriundo de uma educação voltada para a escassez, não para a abundância; para a renúncia, não para o prazer.
Ao fim, fiz algumas contas contas e vi que daria.
- Danem-se meus escrúpulos! - pensei. - Preciso sair!
Fui.
E tudo aconteceu de uma forma tão maravilhosa que só posso reputar obra de Deus me conceder esses dias de descanso.
Para começar, contudo, tive o mínimo cuidado de não sair de casa totalmente desprevinido. Teria que ao menos saber se encontraria na Serra lugar para ficar, pois até aquele momento não tinha reservado hotel e como as notícias eram de neve com certeza os hotéis estariam lotados por lá.
Entrei na internet e pesquisei: Gramado. Um sem número de hotéis ofereciam vagas, a preços os mais diversos. Cadastrei-me em 2 e no dia seguinte parti. Antes de sair, porém, dei uma olhadinha para ver se já tinha resposta de algum. Tive. De um apenas e negativa.
Não me deixei abater. Parti assim mesmo. No caminho confirmaria a reserva do outro, afinal eu não pretendia ir direto a Gramado. Pousaria em Bento Gonçalves e só no dia seguinte precisaria ter a confirmação da reserva para me dirigir até lá.
Meu roteiro começava por Veranópolis. Queria conhecer o restaurante giratório do qual vira uma reportagem na RBS TV. Fiquei encantado com aquela engenhoca a 30 metros de altura acionada por um motor em baixa rotação que faz com que o chão vá lentamente se movendo, permitindo que as pessoas possam almoçar apreciando uma paisagem em constante mutação. E tudo de uma forma lão lenta e segura que só com o decorrer de alguns minutos é possível notar que já não se está na mesma posição. Tanto que para o cliente desavisado é possível pregar uma peça. Se não o avisar de como o lugar funciona, ele só vai notar que algo está acontecendo após algum tempo, pois para fazer o giro completo o mecanismo leva 2 horas.
Saí de casa às 9 horas com a idéia de ao meio dia, talvez antes, estar ali para almoçar. Chegamos às 11 horas e um pouquinho afinal o lugar dista apenas 120 km de Passo Fundo. Andamos um pouco pela cidade e às 11:30 fomos para lá. Havia ainda poucas pessoas no ambiente. Fomos recebidos por um garçom atencioso que nos informou de imediato que a casa servia apenas 1 prato: galeto com massa. Sete tipos de massas ao custo de R$ 20,00 por pessoa. Ao que nos sentamos para sermos servidos, fascinado com o lugar. Comemos à larga e nos divertimos com a novidade. Bati fotos do interior do restaurante para demonstrar depois o seu deslocamento em relação ao local em que inicialmente havíamos sentado.
Senti estar realizando um pequeno sonho, pois quantas vezes não vemos coisas na TV ou ouvimos falar de lugares que gostaríamos de conhecer e deixamos a oportunidade passar. O que seria nesta viagem minha primeira descoberta: para realizarmos alguma coisa não podemos deixar a oportunidade passar, a chama se apagar. É preciso colher o fruto no momento em que ele amadurece. O verdadeiro sabor das coisas está aí, nesse primeiro momento em que a tensão está em alta e a sua realização vem como o raio que alveja a terra, descarregando a nuvem que cruza sobre ela.
Próxima parada do meu roteiro: Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. Esse Vale do qual ouvira um colega falar com admiração ao meu chefe e que despertou em mim a curiosidade de vir a conhecê-lo.
Continua na próxima...
August 11, 2007
relato de viagem
Olá, pessoal. Estou de volta. É incrível mas já fez mais de um mês que eu não publicava nada neste espaço. Não porque não tenha produzido nesse período. Apenas porque estive assoberbado de serviço e por ter me batido um certo desencanto com este meio de divulgação.
Mas, após umas férias de 10 dias que tirei ao final do mês de julho, recarreguei as bateria e estou de volta. Férias estas durante as quais realizei uma viagem à Serra Gaúcha das mais agradáveis que já realizei.
Esse passeio cuidadosamente programado - programação que no meu modo de agir consistiu em apenas ter traçado um pequeno roteiro mental, nada mais - teve o objetivo de resgatar um pouco das memórias que eu tinha do lugar e que há muito tempo eu não visitava. Para mim também representou um viagem de auto-conhecimento. Pois às vésperas de completar 40 anos estou sentindo necessidade de descobrir minha verdadeira identidade.
Fomos apenas eu e os meus filhos, o que me ajudou sobremaneira, sem a companhia da esposa, a fazer um viagem perfeita na consecução desses dois objetivos, sobretudo do segundo, pois só quem é casado sabe o quanto um mulher pode interferir na identidade de um homem.
Nos próximos dias quero reproduzir aqui o relato dessa experiência e dividir um pouco com vocês essa aventura exterior e interior de um homem de meia idade em busca da sua verdadeira identidade.
Um abraço e até mais.
Mas, após umas férias de 10 dias que tirei ao final do mês de julho, recarreguei as bateria e estou de volta. Férias estas durante as quais realizei uma viagem à Serra Gaúcha das mais agradáveis que já realizei.
Esse passeio cuidadosamente programado - programação que no meu modo de agir consistiu em apenas ter traçado um pequeno roteiro mental, nada mais - teve o objetivo de resgatar um pouco das memórias que eu tinha do lugar e que há muito tempo eu não visitava. Para mim também representou um viagem de auto-conhecimento. Pois às vésperas de completar 40 anos estou sentindo necessidade de descobrir minha verdadeira identidade.
Fomos apenas eu e os meus filhos, o que me ajudou sobremaneira, sem a companhia da esposa, a fazer um viagem perfeita na consecução desses dois objetivos, sobretudo do segundo, pois só quem é casado sabe o quanto um mulher pode interferir na identidade de um homem.
Nos próximos dias quero reproduzir aqui o relato dessa experiência e dividir um pouco com vocês essa aventura exterior e interior de um homem de meia idade em busca da sua verdadeira identidade.
Um abraço e até mais.
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