Conseguimos ainda chegar a tempo de ouvir sua primeira palestra, sob uma estrutura de madeira, em forma de círculo, diante dos renques das videiras com que a empresa trabalha. Para minha satisfação, entre elas, divisei a variedade Gamay, cujo vinho atualmente é meu preferido. (Falo atualmente porque nossos gostos mudam, assim como nossos recursos, afinal conhecemos o que a experiência nos permite e esta é condicionada por aqueles. O que significa dizer, para o mundo do vinho, que essa experiência pode ser ilimitada.)
Em seguida adentramos o interior da fábrica que, confesso, superou todas as minhas expectativas. Ambiente de primeiro mundo, padrão de qualidade incosteste! Uma grata satisfação para quem, como eu, me considero um aprendiz na arte de apreciar um bom vinho.
Ao fim desse passeio, a degustação. Foi quando me dei conta de ter feito a melhor escolha ao ter adquirido o bônus Bronze, pois os vinhos que foram oferecidos para degustação, correspondiam à categoria do bônus adquirido. Naturalmente o bônus Bronze era adequado a inciantes e com poderes de consumo mais modestos, como era o meu caso.
De todos os vinhos servidos, senti-me particularmente seduzido por um. Justamente da variedade Shiraz, contra a qual, alías, havia formado uma opinião desfavorável em outra ocasião. Opinião esta fundada, agora podia perceber, em um falso julgamento oriundo de uma aquisição infeliz que havia feito em Passo Fundo de um lote dessa varidade. Naquela oportunidade tive uma péssima impressão desse vinho. Que surpresa, então, descobrir agora nesse mesmo vinho o melhor entre todos servidos!
Como sou um homem aberto a novos conceitos, não tive dúvidas em admitir: aquele lote adquirido em Passo Fundo certamente estaria estragado! Um lote de rolhas, quiçá, ou um grau alcóolico insuficiente par guardar um vinho por mais tempo. Não sei. O fato é que agora, diante dessa nova evidência, já havia tomado uma decisão: levaria o vinho daquela variedade!
Encerramos o passeio com um céu nublado, de um entardecer prematuro e frio. O que me fazia lembrar que não tínhamos ainda um lugar para ficar.
Saímos do Vale e fomos à cidade para nos hospedar.
Ficamos num hotel no centro: Vinocap. R$ 130,00 a diária para eu e as duas crianças. Um hotel de péssima qualidade pelo preço cobrado. Mas para quem estava cansado e com duas crianças para abrigar, um ótimo refúgio.
Jantamos e fomos dormir.
No dia seguinte, fizemos novamente as malas rumo a Gramado. Antes, porém queria conhecer o Caminho de Pedras, já que as crianças haviam refugado o passeio de Maria Fumaça que há ali, entre Bento Gonçalves e Carlos Barbosa. Um passeio que se realiza à tarde e para o qual é preciso reservar 4 horas do seu dia. O que representava para nós passar mais uma noite em Bento. Como tínhamos confirmado naquela manhã a reserva em Gramado para esse mesmo dia, corríamos o risco de perdê-la por conta desse atraso. Nesse ponto, as crianças foram mais sensatas do que eu. Do meu lado, devo confessar, suspirei aliviado que elas tivesse preferido partir. O passeio custava R$ 55,00 reais por pessoa, o que, no meu caso, representava um desembolso nada desprezível de R$ 165,00, sem contar outras despesas menores que, certamente, seriam realizadas no local.
Antes, contudo, de nos despedirmos de Bento, queria conhecer esse Caminho de Pedras, do qual ouvira falar ainda em Passo Fundo. Passe esse que se constitui mais uma atração turística da cidade.
Trata-se de um caminho pela colônia de Bento, pontuado por diversas atrações.
Achado o local, contudo, tinha agora que descobrir a chave para esse outro mundo de encantamentos. Decidimos parar diante de uma casa em estilo típico da região, por conta de um ônibus de turistas que se encontrava ali. Intuí, corretamente, que por conta desse detalhe a parada devia valer a pena. Não me enganei! O lugar era muito acolhedor e, para começar, logo na entrada, batemos uma foto da Júlia - minha filha de 12 anos - segurando no colo uma ovelhinha. Depois fomos até o potreiro nos fundos da casa, em suave aclive em relação à rua, ver as ovelhas no pasto. Mais uma oportunidade de bater algumas fotos já que o dia estava frio e a atmosfera limpa. Condições estas perfeitas para fotos externas. Voltamos para a casa, no térro da qual havia diversos produtos de ovelha em exposição. Tudo, porém, muito caro. Quase não adquirimos nada. Apenas dois iogurtes produzidos no local, com o leite das ovelhas da raça lacony como aprendemos num vídeo de 8 minutos que assistemos no pavimento superior da casa. Casa que, não por acaso, se chama Casa da Ovelha.
Seguimos adiante até chegarmos em outro lugar onde um novo aglomerado de pessoas fez-me crer que valia a pena mais uma parada.
Tratava-se de uma pequena ervateira artesanal, cujos soques de ervas ainda são movimentados por uma roda d´água existente na entrada. Conhecemos o processo de secagem da erva e o barbaquá, espécie de forno enterrado utilizado nessa finalidade. Do outro lado da rua, fizemos a prova do mate com a erva produzida ali e conhecemos outros produtos do artesanato local dispostos à venda.
Aquela lugar era o último atrativo do Caminho. Com certeza outros havia, pelos quais talvez passáramos sem nos dar conta. Mas a hora já ia adiantada e convinha partir, pois tencionava almoçar na estrada e não sabia o quanto teria que andar para achar um lugar que prestasse para tanto.
Continua...
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