August 12, 2007

Relato de viagem

Conforme prometido, vou relatar, em partes, a viagem de férias que fiz à Serra Gaúcha, entre os dias 25 e 29 de julho.
Relatarei como venho escrevendo desde que de lá voltei. Em forma de diário.
29/07/2007
Voltei hoje de uma viagem de 5 dias à Serra Gaúcha. Viagem de férias, talvez uma das melhores que já tive. Embora de poucos dias, mas extremamente proveitosa para mim. Fiz o que há muito tempo queria fazer. Mais do que uma viagem de passeio, uma viagem de conhecimento e exploração.
Elaborei um roteiro - mental, é verdade, mas um roteiro - e segui uma programação que foi se ajustando de acordo com a realidade e as condições das minha finanças. Para se ter um idéia da "programação" de que estou falando, até a véspera de partir eu ainda não tinha certeza se iria. O dinheiro anda curto e como não recebi essas férias antecipadamente não me sentia muito à vontade para gastar por conta desse dinheiro que ainda não havia chegado. Moralmente, falando, por que na prática não havia problema algum. Usava apenas por alguns dias o cheque especial, o qual cubriria mais tarde, quando o dinheiro viesse. Em resumo, puro escrúpulo oriundo de uma educação voltada para a escassez, não para a abundância; para a renúncia, não para o prazer.
Ao fim, fiz algumas contas contas e vi que daria.
- Danem-se meus escrúpulos! - pensei. - Preciso sair!
Fui.
E tudo aconteceu de uma forma tão maravilhosa que só posso reputar obra de Deus me conceder esses dias de descanso.
Para começar, contudo, tive o mínimo cuidado de não sair de casa totalmente desprevinido. Teria que ao menos saber se encontraria na Serra lugar para ficar, pois até aquele momento não tinha reservado hotel e como as notícias eram de neve com certeza os hotéis estariam lotados por lá.
Entrei na internet e pesquisei: Gramado. Um sem número de hotéis ofereciam vagas, a preços os mais diversos. Cadastrei-me em 2 e no dia seguinte parti. Antes de sair, porém, dei uma olhadinha para ver se já tinha resposta de algum. Tive. De um apenas e negativa.
Não me deixei abater. Parti assim mesmo. No caminho confirmaria a reserva do outro, afinal eu não pretendia ir direto a Gramado. Pousaria em Bento Gonçalves e só no dia seguinte precisaria ter a confirmação da reserva para me dirigir até lá.
Meu roteiro começava por Veranópolis. Queria conhecer o restaurante giratório do qual vira uma reportagem na RBS TV. Fiquei encantado com aquela engenhoca a 30 metros de altura acionada por um motor em baixa rotação que faz com que o chão vá lentamente se movendo, permitindo que as pessoas possam almoçar apreciando uma paisagem em constante mutação. E tudo de uma forma lão lenta e segura que só com o decorrer de alguns minutos é possível notar que já não se está na mesma posição. Tanto que para o cliente desavisado é possível pregar uma peça. Se não o avisar de como o lugar funciona, ele só vai notar que algo está acontecendo após algum tempo, pois para fazer o giro completo o mecanismo leva 2 horas.
Saí de casa às 9 horas com a idéia de ao meio dia, talvez antes, estar ali para almoçar. Chegamos às 11 horas e um pouquinho afinal o lugar dista apenas 120 km de Passo Fundo. Andamos um pouco pela cidade e às 11:30 fomos para lá. Havia ainda poucas pessoas no ambiente. Fomos recebidos por um garçom atencioso que nos informou de imediato que a casa servia apenas 1 prato: galeto com massa. Sete tipos de massas ao custo de R$ 20,00 por pessoa. Ao que nos sentamos para sermos servidos, fascinado com o lugar. Comemos à larga e nos divertimos com a novidade. Bati fotos do interior do restaurante para demonstrar depois o seu deslocamento em relação ao local em que inicialmente havíamos sentado.
Senti estar realizando um pequeno sonho, pois quantas vezes não vemos coisas na TV ou ouvimos falar de lugares que gostaríamos de conhecer e deixamos a oportunidade passar. O que seria nesta viagem minha primeira descoberta: para realizarmos alguma coisa não podemos deixar a oportunidade passar, a chama se apagar. É preciso colher o fruto no momento em que ele amadurece. O verdadeiro sabor das coisas está aí, nesse primeiro momento em que a tensão está em alta e a sua realização vem como o raio que alveja a terra, descarregando a nuvem que cruza sobre ela.
Próxima parada do meu roteiro: Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. Esse Vale do qual ouvira um colega falar com admiração ao meu chefe e que despertou em mim a curiosidade de vir a conhecê-lo.

Continua na próxima...

1 comment:

Leandro Malósi Dóro said...

Júlio,
Pode deixar que farei muitos comentários, amanhã, sobre seu blog. Começarei por esse seu On The Road, ao estilo Diários, de Jack Kerouak. Valorizo muito a crítica. Sim, utilizei muitos termos formais, mas por conforto, mesmo. Procuro o prazer de escrever termos belos da língua. Porém, vou revisá-los. Em breve volto a escrever. Por ora, abraços.