E aí, pessoal, o que vocês acharam do visual novo do meu blog? Legal, não? Pois é, uma coisa que estou descobrindo é que sem só de conteúdo vive o homem, mas tudo o que lhe entra pelos olhos também. Por isso resolvi dar uma incrementada no meu blog, até para tornar a leitura de vocês mais agradável também.
Estou publicando hoje o final do conto O Interfone. Espero comentários, hein.
O Interfone - Continuação...
Com o pé esquerdo empurrou a porta que fechou com um forte estalo e com um movimento rápido montou sobre mim. Começou a se reclinar como se quisesse me dizer alguma coisa junto ao ouvido, antes de me atravessar com aquela lâmina. No entanto, quando abriu a boca para falar, o que ouvi não era voz humana, mas um forte zumbido metálico como a campainha do interfone.
Acordei com a estridência do interfone de casa, insistentemente acionado.
Cansado como estava tinha adormecido no sofá, e o que me sufocava não era nenhuma mão assassina, mas sim a almofada que tinha sobre o corpo, e tapava minha respiração. A faca em meu flanco nada mais era que o controle da TV a me cutucar durante aquele sono rápido e pesado.
Deveras eu tinha ficado impressionado demais com tudo o que tinha acontecido. No entanto, aquilo tinha parecido tão real...
Acordei suado de terror. Sem entender ainda bem o que tinha acontecido atendi o interfone que não parava de tocar.
- E aí, cara, tá pronto?
- Quem fala?
- Como quem fala, meu? É o Juca, não tá me reconhecendo?
- Juca? Que Juca?
- Como assim que Juca, cara? Teu colega de serviço. Esqueceu da festa da Lorena?
- Putz, cara. Esqueci...Esqueci completamente. Acabei pegando no sono aqui no sofá. Acordei agora com você tocando esse bendito – ou maldito - interfone.
- Ah, não brinca? Como esqueceu, bicho?
- Esqueci. Aconteceram umas paradas meio estranhas aqui em casa. Acabei esquecendo.
- Mas e aí, tu vai ou não vai?
- Cara, vai indo na frente. Se eu me animar vou atrás.
- Tu não quer que a gente te espera?
- Não cara. Tá tranqüilo. Agora até nem sei se ainda vou. Tô pregado! Tive até um pesadelo agora há pouco. Amanhã eu te conto no escritório.
- Tu que sabe. Vai perder um festão...
- Eu sei...
Era o Juca, meu colega e amigo do escritório. Tinha esquecido mesmo da festa. Com tudo o que acontecera acabei esquecendo dessa festinha há tanto tempo esperada pelo pessoal que não perdoava: quem entrava no escritório tinha que pagar uma festa de confraternização. Para o pessoal conhecer melhor o novo colega, alegavam. Porém, tudo acabava em bebedeira e ressaca noutro dia. Por isso, estava mais inclinado a ficar.
No entanto, quando desliguei o interfone algo me golpeou por trás. Na altura da nuca, não tive chance de reação. Cai sobre o piso da cozinha, batendo com a cabeça no chão.
Antes de apagar, ainda pude ver a porta ser bruscamente aberta pelo vulto que havia me atingido, em fuga, até tudo escurecer como as luzes no entreato, quando a cena muda.
Fim.
3 comments:
Julio,
Gostei da idéia do conto, especialmente do toque de mistério, que me parece mesmo o melhor caminho pra esse gênero curto. A introdução tem uma leveza agradável, o comentário sobre a preocupação com a alimentação inadequada, a descrição da situação de vida do narrador compondo o pano de fundo necessário pra delinear a história, e o desenrolar de um modo geral ficou bem construído. A pedra de toque, pra mim, é o ótimo achado de um sujeito que mora sozinho tocar o seu próprio interfone por engano e ter a porta misteriosamente aberta por alguém ou por alguma coisa e também a dupla surpresa que o leitor tem, primeiro ao descobrir de repente, no momento culminante, que tudo não passa de um sonho do personagem, e segundo ao ver que no final acaba acontecendo na vida real. Gostei também da evolução do medo do personagem num crescendo, os silêncios incômodos que ele encontra ao avançar pelo prédio e depois o suspense na procura pelos vários lugares dentro do apartamento onde alguém poderia se esconder.
“Pra não dizer que não falei de flores”, se o texto merece algum reparo, eu diria que é no momento da transição entre sonho e realidade, ou melhor, na descoberta pelo leitor que tudo não passa de um sonho, provavelmente o ponto crucial do conto e logicamente o de mais difícil resolução, como tal é justamente o momento onde o toque de mestre do escritor deve provocar com mais intensidade o choque de “estranheza” no leitor, que é o que distingue a boa literatura, segundo H.Bloom.
Um abraço
Obrigado pelo comentário encorajador. Gostaria de saber sua identidade embora a opção pelo codinome anonymus já diz tudo. O importante, contudo, é continuarmos a trocar idéias. Se tiveres alguma coisa para eu ler, o faria com gosto.
Um abraço
Obrigado pelo comentário encorajador. Gostaria de saber sua identidade embora a opção pelo codinome anonymus já diz tudo. O importante, contudo, é continuarmos a trocar idéias. Se tiveres alguma coisa para eu ler, o faria com gosto.
Um abraço
PS: não sei o que houve. O computador trocou minha identidade. Não tenho paciência para ir muito fundo nesse negócio de internet, diabo a quatro.
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