Desde que eu começei a escrever com uma certa regularidade - regularidade esta interrompida por toda sorte de interrupação, se é que vocês me entendem - ocorreu-me que o escritor é como um náufrago numa ilha, lançando mensagens ao mar do qual espera resposta. Sabe-se que normalmente esta resposta nunca chega, mas também não é possível dizer que nunca chegará. Por isso a angústia que deve assolar todo aquele que, escritor iniciante, lança-se a essa aventura.
Escrevi isso através de uma pequena parábola a qual reproduzo abaixo.
Vejam o que vocês acham.
NÁUFRAGO OU A DEFINICÃO DE UM ESCRITOR
Tenho passado meu tempo escrevendo mensagens em garrafas e as lançado ao mar, em busca de socorro. Mas, através dos anos, não tenho obtido resposta. No entanto,o ato de escrever estas mensagens tem me proporcionado um prazer que não conhecia. O prazer de produzir histórias. A solidão a que fui constrangido nesta ilha tem me permitido isso. Afinal, cansado de pedir socorro, comecei a inventar histórias. Assim, tenho passado a maior parte do meu tempo nessa atividade.
Atualmente estou escrevendo a história desastrada da minha chegada nesta ilha, o que tem absorvido os meus esforços durante o dia. E já planejo para breve uma outra história com ingredientes mais picantes, histórias de piratas, tesouros escondidos e as descobertas incríveis de um náufrago numa ilha deserta.
Enfim, as possibilidades são muitas!
Todos os dias lanço um capítulo novo ao mar na expectativa de resposta.
Até o momento não obtive sucesso.
Mas também isso já deixou de ter importância para mim.
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