Dando continuidade aquela vontade de que vos falei na publicação anterior, gostaria de dividir com vocês um texto que escrevi outro dia sobre a Leveza na escrita e na vida, em oposição ao peso. Vejam o que vocês acham.
O Elogio da Leveza
Leve, muito leve. Sou adepto da leveza. Para manipular suas armas um soldado so-bretudo tem de ser leve, se movimentar com rapidez, sem deixar de ser mortal. E para sê-lo, não precisa muito. Basta-lhe uma boa arma e pontaria. Assim o escritor. Convém não se municiar demais para a viagem, sob pena de não se completar a jor-nada. É preciso ser leve, lembra? Leve sem abrir mão da profundidade. Mas sem exagero. Apenas um corte profundo e rápido, como o produzido por um bisturi - o que há de mais leve que este instrumento?! Já para se livrar dos golpes do inimigo basta mobilidade. E isso não se consegue com pesadas armaduras.
Há uma história bastante ilustrativa desse fato na Bíblia.
Quando Davi foi enfrentar Golias, Samuel, o rei dos judeus, emprestou-lhe a sua armadura. Davi, para não desagradar ao rei aceitou. Mas ao experimentá-la sentiu que era pesada demais e lhe tolhia os movimentos. Por isso, preferiu ir sem ela, munido apenas com sua funda.
O final dessa história todos nós conhecemos.
Outro exemplo:
O Titanic só não conseguiu desviar do iceberg porque era grande e pesado demais. Uma vez posto em movimento a força da inércia gerada por seu peso – ou seja, aquela força que tende a manter um corpo em seu estado de repouso ou movimento indefinidamente – dificultou a ação do motores para detê-lo, assim como dos lemes. O desastre, àquela altura, era inevitável.
Assim, poderíamos citar outro sem número de exemplos sobre a leveza em oposição ao peso, como fatores determinantes do sucesso ou fracasso de um empreendimento. Mas basta-nos esses dois para não sobrecarregar o leitor. O suficiente para municiá-lo para a batalha.
Batalha da vida e da escrita.
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